A polêmica em torno da venda de seminovos pelas locadoras

A venda de veículos seminovos tem sido uma fonte cada vez mais importante de receita para as grandes locadoras. O que tem provocado muitas reclamações e alguns movimentos das concessionárias, para fazer frente ao que seria concorrência desleal. Os players do mercado de locação entram na defensiva e respondem que a venda de carros está longe de ser a atividade principal do segmento. Explicam que é legítima a “desmobilização de um ativo usado na prestação de serviços”, ou seja, a comercialização de automóveis da frota, com 15 a 18 meses de uso, aproximadamente.

Será mesmo? Está em discussão na Câmara dos Deputados um projeto de lei que expõe todos os lados dessa moeda. Atualmente, as locadoras contam com benefício fiscal na compra de veículos direto das montadoras. A compra direta do fabricante prevê descontos de 30% a 35%, além de isenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Autoria do deputado Mário Heringer (PDT-MG), o projeto de lei 3.844 estabelece que a venda sem tributação só poderia acontecer depois de 24 meses. O autor do projeto e os concessionários apontam privilégios e argumentam que as locadoras, hoje as maiores clientes de vendas diretas da indústria automotiva, têm o lucro garantido e turbinado, porque compram mais barato e colocam os seminovos da frota própria à venda, por preços muito mais competitivos.

O que tem tirado o sono dos concessionários é constatar que as locadoras são as maiores clientes desse tipo de compra e conseguem revender carros com pouco tempo de uso, a preços muito inferiores do que as revendas tradicionais, graças aos descontos. Há denúncias apontando que alguns carros são colocados à venda com menos de um ano de uso.

Polêmicas à parte, as montadoras já estão entrando no mercado de locação. Seria essa uma tendência global? No Brasil, a Toyota se posicionou fortemente. É possível locar os modelos da marca em revendas de Salvador, desde setembro do ano passado. Nos Estados Unidos, a Ford já oferece esse serviço, e na Europa, a Peugeot Citroën aluga carros elétricos. A verdade é que as mudanças de hábito do consumidor exigem mudanças de estratégia.

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