Alagoinhas não aceita intolerância religiosa e racismo

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É com abraços energizantes que a Yalorixá do Terreiro Ilê Asé Oyá Ladê Inan, Mãe Rosa de Oyá, tem recebido as manifestações de apreço e solidariedade daqueles que acorrem a sua casa desde o malfadado episódio protagonizado por membros de templo evangélico próximo, no dia 28 de maio. Todas as medidas legais foram tomadas, todos os órgãos de alguma forma vinculados à questão foram acionados, mas o que considero mais importante é a reação da sociedade. Além das visitas individuais e das publicações, alguns eventos aconteceram, todos manifestando indignação e solidariedade.
“Assim que recebi a informação do ato de intolerância, entrei em contato com o vereador Luciano Sergio e às 7h do dia seguinte estávamos lá. Chegamos juntos com a Prof.ª Aline Najara e, ainda no local, entramos em contato com a Sepromi, relata Ramon Carvalho, assessor parlamentar.
“Eu fui bater lá no dia seguinte, levando minha indignação e solidariedade, como prefeito e como cidadão alagoinhense e fui recebido com um abraço emocionante e inesquecível. Alfredinho Menezes, que me acompanhava, levou sua solidariedade, do Padre Betinho e do Bispo D. Paulo Romeu”, relata Joaquim Neto.
O Projeto Escolas Culturais e o Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães promoveram o evento “RESPEITE MINHA FÉ”, no dia 10/06, em desagravo a Mãe Rosa, reunindo a comunidade do Candomblé com lideranças e adeptos de outras expressões religiosas: a Yaquequerê Onisajé (Fernanda Júlia), a espírita Berna Alves, o Pastor Vanderli e Tarcio Mota, representando o Bispo Paulo Romeu, além da Yalorixá Mãe Rosa de Oyá, para refletir e chegar a um posicionamento contrário a essa prática.

No sábado (20), foi a vez do Ilê Asé Oyá L’Adê Inan receber o V SARAU DOS VENTOS, quando a professora Maria José (UNEB) apresentou Cecília Meireles, um mergulho na sua biografia e na poesia, após ato de desagravo ao terreiro e à sua sacerdotisa Mãe Rosa de Oyá. Estiveram presentes 39 pessoas, que dialogaram, recitaram poemas de Cecília e teorizaram sobre poesia. Normandia Azi leu uma página do diário de uma amiga, também Cecilia, que transcrevia ali correspondência mantida com Cecilia Meirelles. Foi um momento de fruição poética, de encontros e reencontros, organizado pelo poeta João Lopes Filho.

Domingo (21), aconteceu um Xirê de Rua, quando uma comunidade de Axé ou várias se reúnem para realizar uma confraternização na rua, realizando os rituais de festas públicas que normalmente acontecem no ilê. Registramos a presença do deputado federal Joseildo Ramos e vários outros políticos e membros da sociedade alagoinhense.
No dia 30, na Câmara Municipal de Alagoinhas, em Sessão Solene em homenagem ao Dia Municipal da Mulher Negra e Afrodescendente, de autoria do vereador Luciano Almeida, Mãe Rosa também foi homenageada. Além do vereador, compuseram a mesa: Ednajara Lima, Presidente do Conselho de Reparação, Dulce Bispo, Diretora de Reparação de Alagoinhas, Clara Sena, vereadora do município de Catu, Juci Cardoso, Presidente do Conselho de Mulheres, Ana Carolina Gomes, Juíza da 1ª Vara do Trabalho, Jaldice Nunes, Presidente do DEM Mulher, e Aline Najara, feminista negra, doutoranda em história e professora da UNEB.
É fundamental que toda sociedade se levante contra atos de racismo e de intolerância religiosa e se conscientize de que essas condutas ferem os direitos de escolha individual garantidos pela constituição.

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