Alta do indice de correção pode gerar nova onda de renegociação de aluguéis

No início da pandemia, a busca por revisão nos valores de locação de imóveis já havia sido intensificada

Referência para reajustes de contratos, IGP-M disparou durante a pandemia. Em 12 meses, avanço chegou a 17,94%.

Em meio à crise econômica gerada pelo coronavírus, a disparada do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) pode forçar uma segunda onda de renegociação de contratos de aluguel no Rio Grande do Sul. No início da pandemia, a busca por revisão nos valores de locação de imóveis já havia sido intensificada pela perda de renda de trabalhadores e pela paralisação de empresas.

Popularmente chamado de inflação do aluguel, o IGP-M é a principal referência para o reajuste de contratos nessa área no país. No período de 12 meses até setembro, o indicador acumulou alta de 17,94%, assustando inquilinos. O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) é o responsável pelo levantamento.

— Como estávamos em uma situação normal antes do coronavírus, a renegociação não estava sendo tão usada. Com a pandemia, inquilinos e proprietários voltaram a conversar sobre o aluguel. A alta de quase 18% do IGP-M deve motivar mais negociações — afirma Tiago Strassburger, assessor jurídico do Secovi-RS.

A entidade representa as imobiliárias, que são responsáveis por intermediar tratativas entre locatários e donos de residências ou espaços comerciais. Conforme Strassburger, a pandemia prejudicou mais o aluguel corporativo no Estado, já que negócios diversos foram interrompidos pelo distanciamento social. No ramo residencial, também houve maior demanda por renegociação, acrescenta:

— Este momento é importante para o inquilino e o proprietário verem qual é a melhor saída para ambos.

A alta do IGP-M ganhou fôlego a partir de julho. Na ocasião, o índice passou de 7,31% para 9,27% em um período de 12 meses. Na sequência, pulou para 13,02% em agosto, até saltar para 17,94% em setembro. Trata-se da maior taxa acumulada para o nono mês do ano desde 2003 (21,42%).

O indicador reflete o comportamento de preços de variados itens, de matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços. Por trás da escalada, estão o dólar em patamar elevado e o avanço de preços no mercado internacional.

Com a reabertura da economia global, a procura por mercadorias diversas vêm aumentando. A busca aquecida tende a elevar preços, o que pressiona índices de inflação, como é o caso do IGP-M. Para os reajustes de aluguel, é levada em conta a variação do indicador nos 12 meses anteriores à atualização dos valores.

— O aumento na inflação complica a situação de pessoas e empresas que já estavam com problemas. Muita gente ainda está renegociando contratos. Para os donos de imóveis, pode ser até melhor reduzir o valor e permanecer com um bom inquilino do que ficar procurando outro depois — relata Nadia Schallenberger, proprietária da Imobiliária Menino Deus, de Porto Alegre.

Inadimplência – Diretora da área de aluguéis da Guarida Imóveis, Júlia Dal Santo sublinha que, até o momento, a renegociação serviu para frear a inadimplência. Na Capital, a Guarida intermediou cerca de 3,5 mil tratativas desde o início da pandemia, relata a diretora.

— Aumentou, sim, a inadimplência, mas entendemos que não foi o pior dos cenários, em razão do sucesso da renegociação — diz Júlia. — As pessoas já estavam buscando isso desde o início da pandemia. Com o aumento do indicador de inflação, parte daquelas que já haviam solicitado renegociação pediu, por exemplo, para proprietários postergarem reajuste ou aceitarem outro índice — completa.

No acumulado de 12 meses até setembro, o preço médio do aluguel residencial em Porto Alegre registra alta de 4,47%, conforme o Índice FipeZap. No mesmo intervalo, houve crescimento de 3,20% na média dos 25 municípios brasileiros contemplados pela pesquisa, realizada em parceria pela Fipe e pelo Grupo Zap. Esse indicador, que está abaixo do IGP-M, mede os valores de aluguel de imóveis anunciados na internet.

 

Fonte: GZH – Gazeta Zero Hora

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