Amigas de infância separadas para fugir do nazismo se reencontram após 82 anos

Betty Grebenschikoff (esquerda) e Ana Maria Wahrenberg foram separadas pelo nazismo e se reencontraram após 82 anos Foto: Cortesia/ Betty Grebenschikoff/ The Washington Post

Betty Grebenschikoff e Ana Maria Wahrenberg se despediram em uma praça de Berlim em novembro de 1939.

Duas amigas judias que se separaram aos nove anos para fugir do nazismo se reencontraram após mais de oito décadas. Betty Grebenschikoff e Ana Maria Wahrenberg foram unidas com a ajuda da Fundação Shoah, da Universidade do Sul da California (USC), nos Estados Unidos, que atua na preservação da memória de genocídios como o Holocausto e foi fundada por Steven Spielberg.

No início de novembro, aos 91 anos, Betty e Ana se abraçaram em um hotel de São Petersburgo, na Flórida, onde vive a primeira. Betty fez parte de um grupo de 20 mil judeus que se estabeleceram em Xangai durante o Holocausto. Já Ana Maria e a família fugiram em novembro de 1939 para Santiago, no Chile, onde ela mora até hoje.

— Nós apenas tivemos essa sensação de que sempre estivemos juntas. Foi como se tivéssemos nos visto ontem. Tão confortável! A melhor parte foi simplesmente estar perto uma da outra e dar as mãos enquanto caminhávamos — disse Betty ao jornal Washington Post.

— Foi muito especial ver que duas pessoas ainda se amam depois de 82 anos. A filha dela e meu filho agora também são amigos. Estou muito feliz! — ressaltou Ana Maria.

A dupla se despediu em uma praça de Berlim, na Alemanha,  e nunca mais se encontrou presencialmente. Elas vasculharam bancos de dados durante anos, procurando informações que pudessem ajudar nas buscas, mas não tiveram sucesso, principalmente porque ambas mudaram os nomes de nascimento.

Bonecas e escultura na troca de presentes – O encontro apenas foi possível após um indexador da Fundação Shoah perceber semelhanças nos depoimentos das sobreviventes à instituição. A partir daí, conseguiram conectá-las virtualmente em novembro de 2020. Desde então, todos os domingos, elas conversavam por telefone. O encontro presencial, porém, foi adiado por conta da pandemia de Covid-19.

Além de celebrar o momento com um brinde, as amigas também trocaram presentes. Ana Maria levou para Betty uma boneca Barbie vestindo uma indumentária tradicional chilena, junto com uma foto emoldurada dela e algumas joias. Betty deu para a parceira uma pequena escultura em formato de coração que faz par com uma cópia para ela.

Foto: Cortesia/ Betty Grebenschikoff/ The Washington Post

— O fato de essas duas mulheres notáveis se reconectarem depois de tanto anos é um testemunho de esperança — firmou Kori Street diretora executiva adjunta da Fundação Shoah.

 

Fonte: Jornal O Globo

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