Após tempestade: bolsas e petróleo sobem, mas longe de reparar perdas

Redução na produção de petroleo pode ter grande impacto sobre economia global, como uma disparada da inflação

Preço do barril subia cerca de 7% na manhã desta terça-feira, enquanto bolsas asiáticas fecharam o pregão em leve alta.

Após mais de 24 horas de caos nos mercados globais no começo desta semana, o dia deve ser de algum alento nesta terça-feira, 10.

As bolsas asiáticas fecharam o pregão nesta madrugada em alta, ainda que não o suficiente para recuperar as perdas da segunda-feira, 9. Os índices de Shenzhen e Xangai tiveram alta de 2,65% e 1,82%, respectivamente. Em Hong Kong, a alta foi de 1,41%. O índice MSCI (de ações Ásia-Pacífico, com exceção do Japão) teve alta de 1,36% após cair mais de 5% na segunda-feira. Além de um movimento natural de recuperação das quedas bruscas do dia anterior, a alta nos mercados vem sobretudo em meio a uma expectativa dos mercados de que os governos mundo afora anunciem estímulos para a economia em meio à epidemia do coronavírus e aos potenciais problemas de demanda das commodities.

A alta mais tímida ficou no Japão, com o índice Nikkei subindo somente 0,85%, à medida em que o país enfrenta sinais fracos em sua própria economia e terminou 2019 em recessão, podendo ser ainda mais afetado por uma crise global.

No resto do dia, as bolsas do Ocidente devem acompanhar as altas da Ásia. O índice europeu Stoxx 600 subia 2,3% pouco antes das 10h, enquanto o FTSE de Londres operava em alta de 2,6% — o índice conta com grandes petroleiras europeias, como a Royal Dutch Shell e a BP. Os contratos futuros do americano S&P 500 subiam cerca de 3% às 9:40, após queda de 7,6% na segunda-feira.

Já o protagonista da crise, o barril de petróleo, subia na casa dos 7% no início da manhã, cotado a 33,54 dólares às 9:40, alta de 7,74%. Na segunda-feira, o preço do barril fechou em queda de 24% em meio à decisão da Arábia Saudita de reduzir seus preços e aumentar a produção. “Do ponto de vista fiscal, a atual cotação do petróleo é insustentável para os países que dependem da commodity. A Arábia Saudita não vai conseguir manter esse preço por muito tempo”, diz Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, após as quedas de segunda-feira.

No Brasil, o Ibovespa fechou o dia em queda de 12,17% na segunda-feira, a 86.067,20 pontos. Só a Petrobrás perdeu 91,16 bilhões de reais em valor de mercado, com queda de 30% no valor de suas ações. Apesar da alta nas bolsas asiáticas, o momento ainda é de incerteza. “Há uma semana a oportunidade era nos 100 mil pontos. Agora o Ibovespa já está em 88 mil. Então o melhor é esperar o cenário externo acalmar. Uma hora essas quedas vão gerar oportunidades, mas a hora não é agora”, diz Jefferson Laatus, estrategista-chefe e fundador do Grupo Laatus. O mecanismo de contenção da volatilidade chegou a ser acionado na B3 e nos Estados Unidos – o chamado “circuit breaker”, que no Brasil paralisa o pregão após queda acima de 10%.

A alta e baixa do petróleo nesses últimos dois dias representou a maior volatilidade do preço em 30 anos. O índice VIX, chamado “índice do medo”, fechou a segunda-feira em alta de quase 10% e acumula alta de mais de 60% nos últimos cinco dias. Não à toa, o preço do ouro, visto como ativo de segurança, bateu em seu maior preço em quatro anos, assim como o dólar, que vem apresentando altas sucessivas frente às moedas estrangeiras — no Brasil, a moeda americana fechou a segunda-feira a 4,72 reais, alta de 1,97%. Apesar disso, a expectativa para a terça-feira é que o dia transcorra sem que nenhum circuit breaker precise ser acionado.

*Matéria atualizada às 9:40 para incluir cotações atualizadas do petróleo e bolsas.

 

Fonte: Revista Exame

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