Avenida dos museus – Um dos maiores corredores culturais do País

Avenida Paulista

Cartão postal do Brasil, a Avenida Paulista, com seus três quilômetros de extensão no coração da cidade de São Paulo, é um dos mais fervilhantes corredores financeiros do País. É, também, ao longo de seus dezoito quarteirões, um dos maiores espaços culturais ao abrigar nove museus – incluindo-se, dentre eles, o anexo que começou a ser construído junto ao Museu de Arte de São Paulo, o MASP, guardião de nobre acervo. A construção desse anexo trouxe novamente o MASP para destaque na mídia brasileira e internacional. Ostentando o segundo maior vão livre da América Latina, com oitenta metros de comprimento, ele é uma desafiadora obra da arquiteta Lina Bo Bardi e foi inaugurado em 1947 com a presença da rainha da Inglaterra, Elizabeth II. Em meio as suas riquezas culturais, destacam-se telas de Pierre-Auguste Renoir, Vincent van Gogh e Tarsila do Amaral. O anexo faz-se necessário para que novas e mais exposições sejam montadas, e será dotado de condições especiais e adequadas para proteger os quadros de excessiva claridade e outros fatores ambientais.

“O novo prédio não tem o objetivo de ofuscar o MASP, mas, sim, de ser um pano de fundo, com personalidade e força próprias”, diz o arquiteto Martin Corullon, responsável pelo projeto de expansão do museu. O anexo, com inauguração prevista para 2024, levará o nome de Pietro Maria Bardi, crítico de arte e marido de Lina – e, com isso, o edifício tradicional passará a se chamar MASP Lina Bo Bardi. Os nove andares da nova edificação serão responsáveis por uma expansão de 68% na área expositiva e a sua construção receberá somente financiamento de pessoas físicas: R$ 18 milhões. Não há captação de recursos públicos. “A Avenida Paulista não é somente entretenimento. É reflexão na dimensão pública e política da cultura”, diz Corullon.

A região que guarda a pluralidade artística valorizou e trouxe, do passado aos dias de hoje, muito da arquitetura e do glamour daquilo que aprendemos a chamar de “antigamente” — quando a avenida era, sobretudo, habitada por barões do café. A charmosa Casa das Rosas, casarão de 1935, atualmente destaca-se pelos seus cursos, considerados os melhores do País, de formação de escritores. O palacete tem, em sua arquitetura, uma importante ligação com o centro velho da capital. Tal arquitetura, que tudo une, é assinada por Francisco de Paulo Ramos de Azevedo. Ele trabalhou no mesmo escritório que projetou ícones feito o Theatro Municipal de São Paulo, o prédio da extinta Light, a Escola Normal da Praça e a Pinacoteca. “A ocupação da Avenida Paulista faz parte de um processo de modernização da cidade”, diz Renato Anelli, doutor em história da arquitetura, conselheiro do Instituto Bardi e professor de arquitetura na Universidade Mackenzie. “A marca dessa modernidade começa nos anos 1970, com a implementação de calçadas e comunicação visual”. É justamente nessa época, mais precisamente em 1979, que foi inaugurado o edifício, no formato de colmeia, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp. Por lá passam importantes exposições, a exemplo daquela que permanecerá em cartaz até dezembro: ”Darwin: Origens e Evolução”.

No contorno estrito da cultura popular brasileira tem-se o Itaú Cultural, detentor de uma Brasiliana, sempre exposta, e de onze mil textos e documentos pessoais que pertenceram a Vinicius de Moraes. Ainda abrangendo temas raros da historiografia nacional, há o Instituto Moreira Salles, o IMS, que chegou à avenida em 2017. Consolidou-se e adquiriu um dos mais preciosos acervos da fotografia brasileira, do qual constam originais de consagrados profissionais: Walter Firmo, autor de registros que imortalizaram internacionalmente Dona Ivone Lara, Cartola e Pixinguinha; Thomaz Farkas, um dos pioneiros da fotografia moderna brasileira; e Marc Ferrez, pomposo retratista do Império. Dessa época imperial, em que máquinas fotográficas soltavam fumaça, até a sofisticada tecnologia dos dias presentes, nos quais elas cabem em celulares, o tempo voou. Chega-se, então, ao ápice com a instalação da Japan House (que possui também unidades nos EUA e Londres), marco da cultura japonesa no Brasil. E há ainda o pouco lembrado Instituto Cervantes, espaço de valorização da língua espanhola. Toda arquitetura que serve de invólucro a essa bagagem cultural pode ser admirada do mirante da sede do Serviço Social do Comércio, o Sesc. Nesse prédio produzem-se apresentações holográficas que inundam o asfalto com luzes e cores. Ande-se de ceca a meca atrás de cultura, e é bobagem. Se não está tudo ali, na Avenida Paulista, ali está uma mistura de tudo. Um respiro cultural para o Brasil.

 

Fonte: Revista ISTOÉ

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