Balanço: é hora de saber se a receita da Netflix deu certo

Netflix: (Getty Images/Reprodução)

Número de assinantes deve ser menor no terceiro trimestre do que no segundo, mas lucro deve aumentar em 32,5%.

A gigante americana de streaming Netflix divulga nesta terça-feira (20) seu balanço financeiro referente ao terceiro trimestre de 2020. A plataforma, que conquistou 26 milhões de novos assinantes nos primeiros seis meses deste ano, sendo que 10 milhões foram adicionados somente no segundo trimestre, pode passar por uma desaceleração do crescimento – o que já era esperado pela empresa – e ganhar mais 2,5 milhões de usuários.

A expectativa é de que a receita trimestral anunciada hoje seja de 6,3 bilhões de dólares – um aumento em relação ao segundo trimestre, quando o valor foi 6,15 bilhões de dólares. O lucro líquido esperado deve ficar em torno de 954 milhões de dólares, um aumento de 32,5% em relação ao período anterior.

A Netflix, bem como suas concorrentes e outras “empresas de ficar em casa”, se beneficiou em meio à pandemia do novo coronavírus. Com mais pessoas praticando o distanciamento social, o serviço viu suas assinaturas e sua receita engordarem, mas já sabiam que o efeito não seria eterno. Com 193 milhões de assinantes, é a maior companhia do setor, na frente de outras gigantes, como o Amazon Prime Video (150 milhões) e do Disney+ (60,5 milhões), que foi lançado no ano passado e chegará ao Brasil em 17 de novembro.

Nos resultados do pregão desta segunda-feira, 18, as ações da Netflix na Nasdaq fecharam estáveis com um leve queda de -0,01%, cotadas em 530,72 dólares cada. A empresa também ultrapassou a Disney em valor de mercado recentemente pela quinta vez no ano – e alcançou o valor de mercado de 230 bilhões de dólares. Enquanto os cinemas e parques temáticos estavam fechados, o que prejudicou os negócios da Disney, a Netflix virou a primeira opção de entretenimento em milhões de lares no mundo.

Um dos nomes por trás do crescimento é o do “mago” Ted Sarandos, copresidente da Netflix. De tanto assistir a filmes e a programas de TV e ao ouvir comentários de clientes da locadora na qual trabalhava, o executivo conseguiu entender como os consumidores podem ter “gostos e temperamentos” diferentes e como a recomendação precisava ser especial para cada um deles.

Em 2019, a terceira temporada de Stranger Things, um dos maiores acertos de Sarandos, foi vista mundialmente por 40,7 milhões de assinantes em apenas um fim de semana. Como o meio de transmissão é diferente, o estilo de produção é único, e bem diferente do adotado pela TV. “A forma de escrita dos roteiristas muda completamente porque você já sabe que a maioria das pessoas verá o próximo episódio na sequência, evitando extrapolações ou resumos. O fim de um capítulo pode indicar quando você deve ir dormir, mas não dita o ritmo da narrativa”, afirma Sarandos em entrevista exclusiva à EXAME. É mérito dele outras produções como a série Orange Is The New Black e o filme O Irlandês.

Com o faturamento global de 50,3 bilhões de dólares em 2020, segundo a consultoria alemã Statista, o setor do streaming cresceu ao mesmo tempo em que o cinema de Hollywood perdia cerca de 17 bilhões de dólares nos primeiros seis meses do ano.

Segundo a companhia de pesquisas Omdia, a indústria global de filmes deve perder de 20 a 31 bilhões até o final do ano. Um triste adeus à receita de 42 bilhões de dólares em 2019.

Para tentar sanar um pouco das perdas, a Disney lançou o longa Mulan em sua plataforma de streaming, o Disney+, com um preço adicional de 30 dólares – uma forma de, talvez, reverter o que foi perdido sem o cinema mundial.

Não é para menos que a Netflix, líder do setor, é tida como a vencedora da pandemia. Há 19 anos, durante o ataque às Torre Gêmeas a companhia viveu uma situação semelhante quando mais pessoas, por medo, ficaram dentro de suas casas. À época, o número de assinantes da Netflix (que entregava DVDs) subiu de 100 mil para 465 mil.

A guerra pelo trono – Com tantas opções para assinar, parece que a guerra do streaming traz a certeza de longas batalhas. Mas, para Bill Demas, presidente da consultoria Conviva, o usuário não escolhe uma assinatura em detrimento de outra.

Nos Estados Unidos, cerca de 20% dos assinantes de serviços de streaming assinam somente uma plataforma, enquanto 64% assinam entre duas e três e 12% entre quatro e seis, de acordo com a consultoria KPMG. O mesmo deve acontecer no Brasil. “Os serviços de streaming são colocados um contra o outro, mas a televisão que é a grande perdedora nessa guerra”, diz Demas.

 

Fonte: Revista Exame

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