Brasil dá adeus a mais uma importante empresa

A maior empresa de especialidades químicas do Brasil agora é indiana. A Oxiteno foi vendida ao grupo Indorama por US$ 1,3 bilhao. O grupo Ultra, que é o dono da rede de postos Ipiranga e de empresas de gás e transporte de químicos, como Ultragaz e Ultracargo, se desfez de sua empresa mais sofisticada para se concentrar em áreas de muito menor intensidade tecnológica (petróleo e gás).

A movimentação do grupo Ultra é clara: vai disputar os ativos à venda da Petrobras para se tornar monopolista privado de distribuição de combustíveis em todas as regiões que puder. Ou seja, vai deitar na sombra do monopólio natural que não requer investimentos maiores do que a manutenção técnica regular e um corpo de profissionais de valor médio.

A Oxiteno era todo o contrário disto. A empresa chegou a ser multinacional brasileira com atuação na região sul-americana, México e Estados Unidos, nas áreas de química especial para agricultura, cuidados pessoais, manutenção doméstica, tintas e coberturas, aplicações industriais, nutrição e saúde, fluidos funcionais e, também, petróleo e gás. Ou seja, o tipo de empresa promissora que se destaca por investimentos necessários em pesquisa e desenvolvimento, paga melhores salários, disputa mercados de concorrência imperfeita e contribui para o desenvolvimento de um país. Caberia ao Estado brasileiro ter entrado na jogada para impedir que a Oxiteno virasse uma empresa indiana.

Mas… a verdade é que a conservação de estruturas produtivas sofisticadas na área de química não é a prioridade nacional neste momento. A exemplo do que acontece com a Braskem, a grande campeã nacional de petroquímica que nasceu de um projeto conjunto entre Petrobras e Odebrecht e que agora volta a ser negociada para venda. Tanto a Novonor (ex-Odebrecht), como a Petrobras contrataram bancos internacionais para assessorá-las numa oferta de suas participações (38,3% e 36,1%, respectivamente) ao mercado internacional.

Uma das maiores petroquímicas do mundo, a Braskem é hoje a única produtora nacional de diversos tipos de resina plástica e termoplástica, matéria-prima de uma variedade de processos produtivos. Se hoje o empresariado reclama de sua desconjuntada prática de preços ao mercado interno (devido ao fato de que é uma empresa sem plano de longo prazo), podem esperar que mais adiante os preços da Braskem serão estavelmente bem mais altos. E a prometida concorrência neste mercado de gigantes, com razoável certeza, não amenizará sua situação.

O conjunto de informações relatadas acima aponta para uma estabilização dos custos sistêmicos da produção brasileira em um novo – e mais alto – patamar. E não se pode deixar de notar que, na base de todo este processo, encontra-se a decisão da Petrobras de vender partes de sua estrutura, criando novos monopólios privados e estimulando grupos empresariais a se concentrar em áreas de menor intensidade tecnológica. Assim se desindustrializa um país que já esteve entre as dez maiores indústrias do mundo.

Fonte: RIB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here