Como (não) agir diante da crise política

Foto ilustrativa - Internet

A quarta-feira da volta do feriado, o day after das manifestações de 7 de setembro, trouxe um mercado tenso como havia muito tempo não ocorria. O Ibovespa recuou 3,78%, para 113.412 pontos, o menor patamar em quase seis meses. O dólar subiu 2,8%, para R$ 5,32.

Em momentos como esse, muitos podem pensar pensar que a bolsa entrou em um movimento baixista e que é momento de embolsar os ganhos ainda acumulados desde o ponto de entrada ou estancar alguma perda. E partir para uma renda fixa cada vez mais atrativa com a Selic a 5,25% ao ano e os juros futuros em níveis mais elevados.

Em casos assim, sempre é recomendável ouvir antes a análise de quem trabalha há muitos anos no mercado e tem experiência em diversas crises para saber como agir. É o que faz a EXAME Invest, que traz abaixo a visão de Jerson Zanlorenzi, head da mesa de ações e derivativos do BTG Pactual digital, em participação ontem do programa “Fechamento de Mercado”, que vai ao ar diariamente às 17h30 no canal da EXAME Invest no YouTube e no Instagram.

“O cenário para a bolsa ainda não mudou. O investidor tem que olhar todas as variáveis em jogo. Sem dúvida, foi um dia atípico que evidencia como política faz preço nos ativos. Mas é importante observar que, muito mais do que os eventos de terça eventualmente representaram, os problemas já vinham de antes”, disse Jerson Zanlorenzi.

“Toda a questão de necessidade de reformas, quadro fiscal, teto de gastos, novo Bolsa Família… todos esses ‘fantasminhas’ que vinham assombrando esse preocupação de risco Brasil já vinham sendo carregados. Um movimento de queda como o de hoje (ontem) raramente acontece por um motivo só”, explicou.

“O Brasil precisa resolver algumas situações de reformas e de quadro fiscal que não são fáceis. E essa briga entre os Poderes de nada facilita essa situação. É preciso um alinhamemento com a Câmara e o Senado, com o STF junto, para que as reformas sejam aprovadas. E o que o mercado precificou (nesta quarta) foi uma chance maior de isso não acontecer. Isso leva o investidor a tomar menos risco: vender ações, comprar dólar e tomar juros”, completou.

O especialista do BTG Pactual digital completou: “mas é muito cedo para dizer que mudou o cenário, que vamos revisitar o alvo para o Ibovespa no fim do ano. Sempre que há turbulência, nós gostamos de ficar um pouco de fora e analisar mais os fatos. Falamos desde o início do ano que a volatilidade para 2021 estava contratada e que seria um ano difícil: que a bolsa tem capacidade de terminar o ano aos 140 mil pontos, mas que esse caminhada não seria linear”.

 

De: Mercado Aberto <new@comunicacao-exame.com>

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