Contarato adverte: o foco da CPI deve ser a Covaxin. Inquérito mal feito leva a absolvição

Ex-delegado da Polícia Civil, o senador Fabiano Contarato defendeu na TV 247 que a comissão não misture o caso de corrupção na compra da Covaxin, que envolve Jair Bolsonaro e o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, com o esquema relatado pelo cabo Dominghetti.

O Senador Fabiano Contarato (Rede -ES), em entrevista à TV 247, sustentou que a CPI da Covid deve voltar seus esforços neste momento para destrinchar o possível caso de corrupção na compra da Covaxin pelo Ministério da Saúde. O escândalo da Covaxin foi revelado à comissão pelo deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) e seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda.

O servidor relatou ter sofrido pressão “atípica” para facilitar a importação do imunizante, mesmo com irregularidades contratuais. Ambos teriam ido a Jair Bolsonaro denunciar tais práticas e, neste episódio, o chefe do governo federal teria revelado que o “dono do rolo” seria o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara dos Deputados, e ainda prometido acionar a Polícia Federal para investigar o caso. Ele nada fez.

“Esse é o fato que, ao meu ver, a CPI tem que focar”, defendeu Contarato. “Se você pega aquele fato, mexe nele, volta para esse que surgiu agora, mexe nesse aqui, daqui a pouco você fragiliza a prova. E isso é muito grave”.

Mesmo não sendo membro da CPI, Contarato é um dos mais duros e precisos inquiridores da comissão, principalmente por conta de sua experiência como delegado da Polícia Civil. “Quando eu passei no concurso para delegado em 1992, eu fiz pela USP, e lá na USP em São Paulo tinha uma frase certeira, que serve para qualquer crime e qualquer situação no Brasil: ‘inquérito policial mal feito é absolvição na certa’. Então a CPI não pode cometer esse erro, ela não pode cair nesse equívoco. Ela tem que ter sobriedade. Foca na Covaxin, que foi um fato grave envolvendo o presidente da República, no qual um funcionário do Ministério da Saúde se disse pressionado pelos seus dois superiores e foi ao presidente e relatou, e esse nada fez. Prova-se esse fato, fechou o ciclo desse fato, agora abre-se outro fato”.

O parlamentar criticou a inclinação da CPI para passar a investigar com mais prioridade um suposto esquema de propina na compra da vacina AstraZeneca, que envolveria o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias. O episódio foi revelado por Luiz Dominghetti, que se diz representante da Davati Medical Supply.

 

Fonte: Brasil 247

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