Covid-19: 8 milhões de casos no Brasil?

Reitor da Universidade de Pelotas apresentará estudo que testou 89.397 em 133 cidades do país, uma média de 200 pessoas por município.

A sub-notificação é um dos principais problemas no enfrentamento à covid-19 no Brasil, porque não dimensiona corretamente o tamanho da pandemia. Pesquisas indicam que o país pode ter até 8 milhões de pessoas infectadas, quase 6,4 milhões a mais do que o registrado oficialmente pelas secretarias de saúde.

É sobre estas pesquisas, desenvolvidas por universidades e governos locais, que a Comissão Especial de enfrentamento à pandemia de covid-19 da Câmara dos Deputados vai debater nesta quarta-feira, 8, a partir das 9h30. Participam da sessão virtual representantes do Ministério da Saúde, da Fiocruz, cientistas e especialistas que estão à frente dos principais inquéritos sorológicos do país.

Pedro Hallal, reitor da Universidade Federal de Pelotas e coordenador do Inquérito Nacional do Ministério da Saúde, vai apresentar o maior estudo deste tipo feito no Brasil até o momento. Ao todo 89.397 pessoas foram testadas em 133 cidades do país, uma média de 200 pessoas por município.

Na semana passada, Hallal apresentou resultados preliminares da pesquisa que indicam que o país tenha até 8 milhões de casos de covid-19. Mas ainda precisam ser feitos mais testes para confirmar as projeções.

Um outro inquérito sorológico, feito pela prefeitura de São Paulo, aponta que quase 1,2 milhão de pessoas já podem ter sido infectadas pelo coronavírus na cidade. Considerando uma população de 12,25 milhões, a prevalência na cidade seria de 9,5%.

O secretário municipal da Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, também participa da sessão. O estudo da maior cidade do Brasil é dividido em 5 etapas. A primeira já foi concluída e a segunda está em andamento. Nesta primeira fase foram testadas 5.664 pessoas e o mesmo número será testado nas outras quatro etapas.

Em todos esses inquéritos sorológicos, são usados os testes rápidos que identificam se a pessoa tem anticorpos da doença, ou seja, já tive a covid-19. São importantes para ajudar os gestores públicos de saúde a tomarem medidas de controle.

No último boletim epidemiológico, divulgado pelo Ministério da Saúde na semana passada, foram realizados mais de 7,5 milhões de testes rápidos no país, além dos 1,4 milhão de testes tipo RT-PCR, que identificam a presença de material genético do SARS-CoV-2.

O número é muito inferior ao dos Estados Unidos, por exemplo, que já realizaram mais de 37 milhões de exames, segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, sigla em inglês).

 

Fonte: Revista Exame

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