CPI Covid – núcleo vai investigar hospitais federais do RJ e a conexão com Flávio Bolsonaro

Comissão busca ligações entre o senador e indicações de cargos e organizações sociais que atuam no setor

A CPI da Covid vai montar um núcleo que se dedicará exclusivamente a investigar supostas irregularidades em hospitais federais do Rio. Para isso, a comissão recrutará agentes da Polícia Federal e designará consultores para se debruçarem sobre os contratos e a gestão dessas unidades. A decisão de criar uma nova base foi tomada ontem pela cúpula da CPI, pois a avaliação é de que “já faltam braços” para apurar os casos em andamento, como o da vacina Covaxin e o da empresa Davati.

Um dos focos dessa linha de investigação é buscar conexões do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) com a indicação de cargos para os hospitais federais do Rio e com organizações sociais que atuam na área. O parlamentar afirma que a CPI tem objetivo político de desgastar o governo.

A linha de investigação sobre a Saúde do Rio foi traçada pela CPI após ouvir o ex-governador Wilson Witzel. A cúpula do colegiado vai apurar se diretores que teriam sido nomeados com o aval de Flávio cometeram irregularidades.

Em 2019, um aliado do senador, que foi diretor do Ministério da Saúde, enviou ofícios sugerindo trocas nas gestões dos hospitais e até indicou um nome para comandar o Hospital Federal de Bonsucesso. Esse mesmo nome posteriormente foi designado pelo governo federal para uma cadeira na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Witzel já foi próximo de Flávio, de quem recebeu apoio na eleição de 2018, mas a aliança com a família Bolsonaro foi rompida em setembro de 2019 e, desde então, a relação se tornou conflituosa.

Informações que chegaram à CPI indicam uma suposta relação do senador com o empresário Edson Torres, que confessou ter participado de esquemas de corrupção na Saúde do Rio. A comissão pretende destrinchar os negócios de Torres.

Os dois teriam se aproximado em 2016, quando o hoje senador foi candidato a prefeito no Rio pelo PSC, partido com o qual o empresário teria ligações, por meio do presidente da sigla, Pastor Everaldo.

A estratégia da CPI é analisar relatórios do Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a quebra dos sigilos financeiros de organizações sociais que atuam em hospitais fluminenses e de empresas de Torres.

As suspeitas da comissão sobre a gestão dos hospitais federais foram reforçadas quando, em maio, o coronel da reserva George Divério foi exonerado do cargo de superintendente do Ministério da Saúde no Rio após o “Jornal Nacional”, da TV Globo, revelar que ele havia aprovado contratos suspeitos para reformar prédios administrativos durante a pandemia. A reportagem revelou que, em novembro, Divério autorizou duas contratações sem licitação que somavam quase R$ 30 milhões, por empresa de pequeno porte.

Flávio nega

Até agora, entretanto, não há provas de irregularidades envolvendo o parlamentar. Flávio nega qualquer participação em esquema ilícito e afirma que a CPI tem sido usada com fins políticos para desgastar o governo Bolsonaro, em vez de focar em desvios de recursos por governadores. “Eu não tenho qualquer relação com o funcionamento ou com nomeações em hospitais. Essa função cabe apenas à superintendência da Saúde no Rio de Janeiro. Fica cada vez mais patente que Renan Calheiros (relator da CPI) está obcecado e tem gastado o tempo e os recursos da CPI para perseguir a mim e ao presidente Jair Bolsonaro. Sobre Edson Torres, nunca vi na minha vida”, disse, em nota.

Fonte: O Globo

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here