Cuba aplica nova política econômica, desvalorizando o câmbio peso-dólar em 500%

Cubans queue outside a bank in Havana, on August 4, 2022. - The Central Bank of Cuba (BCC) reported that as of Thursday banks and exchange houses will begin to buy dollars at a price of 120 Cuban pesos per bill, a rate similar to that of the black market, a mechanism aimed at capturing foreign currency. (Photo by YAMIL LAGE / AFP)

A partir desta quinta (4), Estado cubano passará a comprar dólares como nova etapa da Reforma Econômica iniciada em 2021

Cuba anunciou novas medidas econômicas para estabilizar o mercado cambiário. A partir desta quinta-feira (4), o câmbio peso-dólar salta de US$ 1 equivalente a 24 pesos para U$ 1 igual a 120 pesos cubanos. A nova cotação fixada pelo Banco Central se aplica para o comércio nacional, mas o câmbio subsidiado (1 x 24) será mantido no setor industrial. Esta seria uma nova etapa da Reforma Econômica implementada em 2021.

O ministro de Economia e Planejamento, Alejandro Gil Fernández, justificou a mudança do mercado de câmbio como necessária “porque [manter a cotação 1×24] requer moedas estrangeiras que hoje são usadas para outro fim na economia”.

Desta forma, o governo espera arrecadar parte dos dólares que entravam no país através do turismo ou por remessas, mas eram trocados no mercado paralelo de divisas (moedas estrangeiras). Uma das plataformas de venda ilegal de dólar, chamada Revolico, cotava a moeda em 130 pesos cubanos na manhã desta quinta-feira (4).

“São cerca de 70 medidas para dinamizar o mercado interno, com a captação de moedas estrangeiras, incremento do ingresso dos agentes exportadores e reativação da produção nacional. Não estamos de braços cruzados. Nosso povo deve ter a certeza de que cada decisão aprovada será implementada com o maior grau de justiça social possível”, disse o presidente Miguel Díaz-Canel.

Os bancos privados terão uma margem de 2% a 9% para variar sua cotações.

Desde que foi aplicada a chamada “Tarefa Ordenamento”, em janeiro de 2021, o dólar paralelo já era cotado até seis vezes mais caro que o valor fixado pelo Estado cubano.

A Reforma Econômica unificou as moedas cubanas, extinguindo o Peso Conversível (CUC), aumentou os salários e pensões e liberou a circulação do dólar estadunidense na ilha.

“Se todas as transações da economia fossem em pesos cubanos e todas as moedas estrangeiras que entrassem fossem convertidas a CUP [peso cubano] para consumir na nossa moeda, as divisas (em dólar) obtidas seriam utilizadas para investir na produção de bens e serviços. Com isso o peso cubano adquire valor, nosso objetivo estratégico”, defendeu Gil.

O funcionário cubano reconhece que a liberação do dólar em Cuba, assim como a abertura de lojas que vendem produtos na moeda estadunidense, seria o ponto de partida para atender a demanda nacional de compra de moedas estrangeiras que, segundo Gil, é maior que a oferta.

As autoridades reiteraram que, à medida que se supera a etapa mais crítica da emergência sanitária da covid-19, também se reaquece a economia. No primeiro trimestre do ano, o ministério de Economia reportou um crescimento de 10,9% do Produto Interno Bruto, após sofrer uma retração de 12,7% em 2021.

A meta é finalizar o ano com um crescimento de 4%. Apesar da nova cotação do dólar, o salário mínimo se mantém em 2100 pesos cubanos, equivalente a US$ 17,50 (cerca de R$ 91).

Desde 1962 Cuba enfrenta um bloqueio econômico dos Estados Unidos que gerou cerca de US$ 147,8 bilhões em prejuízos, segundo medições do Estado cubano. Somente durante a gestão de Donald Trump foram emitidas 243 sanções unilaterais e foi a partir de 2019 que a economia da ilha passou a encolher, registrando uma retração de 0,2% e de 11% em 2020.

Edição: Arturo Hartmann

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