Dinamarquesas vão às ruas pelo direito de muçulmanas

Mulheres da Dinamarca vão às ruas nesta quarta-feira para protestar contra uma lei que proíbe o uso de burcas no país. Em maio deste ano, o Parlamento dinamarquês aprovou uma lei em que proíbe o véu integral em locais públicos, e que passará a valer a partir de hoje. Segundo a maioria do Parlamento, o uso de véus é incompatível com os “valores da sociedade dinamarquesa”, e um desrespeito à comunidade do país. Por isso, as mulheres que não obedecerem à proibição receberão multas entre 598 e 5.800 reais (entre 1.000 e 10.000 coroas dinamarquesas), e serão encaminhadas às suas casas.

A lei, que afeta somente as muçulmanas residentes no país, tem incomodado as mulheres que enxergam nela uma violação da livre escolha e à própria religião islâmica. Foi deste incômodo que surgiu o grupo Kvinder I Dialog (Mulheres em Diálogo) — composto por muçulmanas que utilizam véus, que não utilizam, e também por não muçulmanas — que defende o direito de a mulher expressar sua identidade como quiser. Foi deste grupo que surgiram as manifestações de hoje.

Não é a primeira vez que um país europeu tenta decidir sobre os hábitos da religião islâmica. França, Bélgica, Holanda, Bulgária e o estado alemão da Baviera já impuseram algum tipo de restrição ao uso de véus por mulheres islâmicas.

Na França, por exemplo, o uso de véu integral é proibido desde 2011, e uma multa de 150 euros pode ser aplicada para aquelas que desrespeitarem o veto. Embora esta proibição tenha sido aprovada e colocada em vigor, uma vitória ao hábito religioso foi registrada em 2015. O uso dos burquinis (trajes de banho para mulheres que desejam cobrir seu corpo) foi proibido pelo governo francês, mas recursos judiciais e uma série de protestos fizeram com que a Corte francesa revogasse a lei, e permitisse seu uso no país.

Na Dinamarca, está em jogo a conquista do poder por parte dos conservadores dinamarqueses. O Partido do Povo dinamarquês se tornou o segundo maior partido no país, e faz parte do governo desde 2015. O partido, que valoriza o “valor do povo dinamarquês”, já propôs, entre outras coisas, o ensino desses valores a crianças que moram em áreas marginalizadas, conhecidas como guetos.

fonte: Exame

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