EUA: Decisão histórica

Biden e Trump

Mas uma definição sobre o novo presidente dos Estados Unidos pode levar dias por causa do volume de votos pelo correio.

O presidente Donald Trump fez ontem um giro frenético por cinco estados decisivos, enquanto Biden se concentrou na Pensilvânia. Na reta final da campanha, o objetivo é tanto conquistar o voto de indecisos como garantir que os eleitores compareçam às urnas.

Ou pelo menos aqueles que ainda não votaram. Estima-se que mais de 90 milhões de americanos já tenham enviado seus votos pelo correio ou tenham comparecido pessoalmente às seções abertas com antecedência.

Segundo o levantamento nacional Wall Street Journal/NBC News, divulgado ontem, Biden tem uma vantagem de 10 pontos percentuais sobre Trump. A média de nova pesquisas nacionais contabilizada pelo site RealClear Politics aponta Biden à frente, com 7,2 pontos percentuais.

Mas a eleição nos Estados Unidos é decidida pelo colégio eleitoral (em 2016, Trump recebeu 3 milhões de votos a menos que Hillary Clinton, mas foi eleito porque venceu em alguns estados-chave). Para ser eleito, o candidato precisa de 270 dos 538 votos do colégio eleitoral.

Em alguns do estados conhecidos como swing states (pois podem pender para o lado dos republicanos ou dos democratas), Biden tem vantagem considerável. Na Pensilvânia e no Arizona, ele está 6 pontos percentuais à frente de Trump, segundo pesquisa New York Times/Siena divulgada ontem. No Wisconsin, a vantagem é ainda maior: 11 pontos. Em todos eles, Trump foi o vencedor há quatro anos.

Na Flórida, o mais importante dos swing states, a situação está indefinida. A média de sete levantamentos contabilizada pelo RealClear Politics aponta uma vantagem de apenas 0,7 ponto percentual para o democrata – dentro da margem de erro.

Além de contar com 29 votos no colégio eleitoral, o maior número entre todos os estados-chave, a Flórida deve ser responsável pela primeira indicação dos rumos da eleição.

O estado permite o processamento e contagem dos votos à distância antes do dia da eleição – ou seja, a apuração já começou. Os primeiros dados só serão divulgados depois do fechamento das urnas, e é possível que seja possível projetar um vencedor na noite de amanhã.

Caso Trump vença na Flórida, seguem vivas suas chances de repetir a surpresa de 2016. Mas, caso o estado dê vitória a Biden, o caminho da reeleição fica muito mais complicado para Trump.

O presidente teria de ganhar em vários estados-chave onde Biden está na frente nas pesquisas – como Pensilvânia, Michigan e Wisconsin – e também conquistar Arizona, Texas e Ohio – onde o resultado é imprevisível.

Ameaça de caos – A questão é que uma eventual vitória de Biden em alguns desses estados pode demorar dias para ser confirmada, por causa do enorme volume de votos pelo correio. Em Wisconsin, por exemplo, a conferência e contagem dessas cédulas só começa na própria terça-feira.

Trump há meses vem afirmando que a votação pelo correio dá margem a fraudes – o que a história já provou ser mentira. Ontem, um de seus assessores fez uma afirmação que indica o possível caos dos próximos dias.

Em entrevista à rede ABC, Jason Miller essencialmente disse que os votos que não forem contabilizados na noite de terça-feira não deveriam valer.

“Se você conversar com democratas inteligentes, eles acreditam que o presidente Trump vai estar na frente na noite da eleição, provavelmente com 280 votos [do colégio eleitoral], ou algo assim. Aí, eles vão tentar roubá-los de volta depois da eleição”, afirmou Miller.

Miller tem razão quando diz que Trump pode sair na frente da apuração, já que a maioria dos eleitores republicanos pretende votar pessoalmente na terça-feira, e esses votos serão tabulados primeiro. Mas os votos enviados pelo correio, que devem ser em maioria para Biden, também serão contados, mesmo que com um pouco de atraso.

A narrativa promovida pelos republicanos – na mídia e também nos tribunais – é que essa contagem de votos pelo correio representa fraude. Mas, apesar das projeções feitas tradicionalmente na noite da eleição, os resultados são oficializados dias depois. Na prática, Miller sugere invalidar votos enviados de acordo com as regras.

Um dos estados observados mais de perto é a Pensilvânia, onde Trump obteve uma vitória surpreendente quatro anos atrás. Por causa da pandemia, o estado flexibilizou as regras para permitir que mais cidadãos votassem pelo correio.

A expectativa é que o volume de votos à distância seja dez vezes maior que o de 2016. Antes de contadas, as cédulas passam por um processo de verificação, o que significa uma apuração mais demorada. Além disso, alguns estados aceitam votos postados até a própria terça, mas que cheguem alguns dias depois.

 

Fonte: Revista Exame

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