EUA: Equipes de campanha invadem celulares de eleitores

Mensageiro anunciou relatório de parceria com o TSE para as eleições municipais

Equipes divulgam falsas informações sobre os candidatos do partido oposto.

Os eleitores americanos recebem estranhas mensagens em seus celulares com a aproximação da eleição presidencial americana de 3 de novembro, informando que seu voto antecipado não foi contabilizado ou que não estão inscritos nas listas eleitorais.

Convidados a clicar em um link, caem num artigo que contém informações falsas sobre uma personalidade política.

Porque para coletar dados e chegar aos eleitores, as equipes de campanha devem agora contornar as redes sociais, já que TwitterFacebook ou mesmo Google endureceram suas regras sobre publicações.

“O que estamos vendo é quase mais forte do que em 2016”, diz Samuel Woolley, professor da Universidade do Texas, que lidera pesquisas sobre propaganda política.

Os dados pessoais de dezenas de milhões de usuários do Facebook em todo o mundo foram sequestrados pela empresa britânica Cambridge Analytica, que trabalhou para a campanha de Donald Trump, um escândalo que eclodiu em 2018.

“Em 2016, a dependência do Facebook e de outras redes sociais era maior, mas agora as equipes de campanha assumiram o controle da coleta de dados”, observa Samuel Woolley, chamando o aplicativo móvel de Donald Trump de uma “ferramenta de monitoramento”.

Sua equipe de pesquisadores observou que o aplicativo do presidente e, em menor medida, de seu concorrente democrata Joe Biden e de outros grupos de ativistas políticos, permite que os organizadores recuperem dados para criar perfis e, em seguida, enviar mensagens direcionadas por SMS, e-mail ou redes sociais.

A informação recolhida não é só dos utilizadores desses aplicativos, mas também dos seus contatos.

Propaganda – Thomas, de 32 anos, recebeu dezenas de mensagens em seu celular, muitas vezes em favor de Donald Trump.

“Saques. Motins. Cidades em chamas. Esta é a realidade de uma América governada por Biden”, lê este gerente de TI, que mora em Boston. “Isso realmente me perturbou”, explica ele. “Não subscrevo partidos políticos conservadores”.

Como ele, muitos destinatários nunca baixaram um aplicativo vinculado a um partido político, nem deram consentimento para receber essas notificações, alertam os pesquisadores.

“O envio dessas mensagens não requer consentimento”, explica Jacob Gursky, pesquisador da equipe de Samuel Woolley.

Algumas mensagens são, na verdade, anúncios, mas sem serem rotuladas como tal, contrariando a obrigação da mídia ou das redes sociais de fazê-lo.

O FBI também está investigando crimes relacionados a essas correspondências, como a disseminação de informações falsas ou o uso de ameaças ou intimidações.

“Pessoas sem escrúpulos usam métodos diferentes para disseminar desinformação sobre o voto, como redes sociais, mensagens de texto ou aplicativos de mensagens”, disse a agência em um comunicado divulgado em setembro.

Falta de legislação – E se Google e Facebook impuseram novas regras, o trabalho está longe de terminar, destaca Bridget Barrett, pesquisadora do Centro de Informação, Tecnologia e Vida Pública da Universidade da Carolina do Norte.

“Não permitimos que a Rússia compre anúncios políticos com rublos, então está bem”, ironiza.

Mas ela observa que o Facebook ainda permite que os anunciantes, sejam políticos ou comerciais, selecionem os destinatários de seus anúncios.

“Não temos legislação geral sobre privacidade de dados”, observa ela, destacando que “todo o ecossistema digital preocupa do ponto de vista da privacidade, no que diz respeito à propriedade dos dados ou o direito de ser informado sobre a forma como são utilizados”.

E a micro-segmentação ainda existe. Esta técnica não é nova, mas foi utilizada com sucesso pela equipe de Donald Trump em 2016 porque permite chegar às pessoas graças às informações que dão principalmente nas redes sociais.

“As equipes de campanha têm grandes volumes de dados sobre eleitores”, o que facilita a disseminação da desinformação, mas também incentiva ou desestimula a votação, detalha Costas Panagopoulos, chefe de ciência política da Universidade de Northeastern.

 

Fonte: Revista Exame

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