Executiva do LinkedIn ensina como usar a rede social

Erica Firmo, gerente de comunicação corporativa e reputação do LinkedIn na Ásia, Europa e América Latina
Erica Firmo, gerente de comunicação corporativa e reputação do LinkedIn na Ásia, Europa e América Latina, traz dicas de como usar a rede social de negócios. Ela também conta como foi sua trajetória profissional e a importância da área de comunicação corporativa.

“O Linkedin é uma rede social muito boa para você achar emprego, mas é uma rede social. Acima de tudo, existe para você se conectar e fazer networking”, diz Erica Firmo, gerente de comunicação corporativa e reputação do LinkedIn na Ásia, Europa e América Latina.

Como? “Faça o mapeamento dos profissionais que admira e que trabalham na área que você quer ingressar. Mande uma mensagem privada convidando para um café e pergunte como é trabalhar neste mercado”, conta a especialista.

Outra dica é: sabe aquela vaga que está aberta e você tem interesse? “Veja qual conhecido trabalha nessa companhia e use o LinkedIn — no modo privado — para falar com a pessoa”, aconselha a Erica.

“Participar de grupos também ajuda na construção do networking”, completa. “Talvez [esse relacionamento] poderia ser o empurrão que você precisava para alavancar a sua carreira.”

Na entrevista abaixo, Erica comenta como usou o networking para ingressar no LinkedIn, como foi a sua trajetória profissional e a importância da área de comunicação corporativa:

Como você ingressou no LinkedIn? – Eu me candidatei a uma vaga. À época, uma colega — que tinha trabalhado comigo no passado — me indicou. Passei e tive a chance de liderar a área de comunicação da América Latina por mais de 3 anos. Depois, fui convidada para ocupar a posição de gerente de comunicação corporativa e reputação do LinkedIn na Ásia, Europa e América Latina. Estou falando com você diretamente de Singapura.

Que demais! E você sempre teve o sonho de ser executiva? – Sim (risos). É brincadeira. No início da minha carreira, como a maioria dos meus colegas millennials, estava me sentindo perdida. Não fazia ideia do que queria para a minha vida. Me encontrei no curso de Relações Públicas.

Daí, eu trabalhei na Bolsa de Valores, depois na General Electric. Fui estagiária, analista, trainee, coordenadora e gerente. Viajei pelo mundo, fiz muitos amigos e aprendi bastante sobre comunicação corporativa e marketing.

Depois de 8 anos trabalhando em um mundo de inovação, cheio de máquinas e turbinas, eu vim para o LinkedIn. Sempre sonhei em trabalhar no mercado de tecnologia.

Por que passou a sonhar em trabalhar com tecnologia? – Primeiro, por curiosidade. Via as redes sociais e o mundo da tecnologia muito dinâmico em que você precisava estar sempre muito à frente nas tomadas de decisão. Queria entender como funcionava isso na prática.

Já tinha o conhecimento de uma indústria com quase 130 anos de história. Queria — como próximo passo na minha carreira — trabalhar em startup ou algo relacionado para explorar as minhas habilidades e não ficar somente ali dentro de uma realidade única.

E quais dicas você traz para as mulheres que gostariam de ocupar uma ‘cadeira’ de liderança, seja em startup ou em uma grande empresa?

Não é minha. É uma dica que eu escutei da Ana fontes, mulher inspiradora. Eu a entrevistei e fiz uma pergunta parecida. Nunca vou esquecer porque aplico a resposta até hoje. Ana disse que eu precisava respirar fundo e me preparar para os desafios que são grandes. Se você quer ser uma líder, prepare-se porque não é fácil. São coisas novas, você vai ter que aprender, passar por altos e baixos, mas uma coisa que você tem que fazer é confiar na intuição. Se a intuição está dizendo para seguir esse caminho, siga.

Você trabalhou com líderes de vários países nas empresas em que trabalhou. Como essa experiência afetou a sua carreira?

“Conhecer pessoas com culturas, origens e privilégios diferentes foi o principal aprendizado. Eu comecei a olhar além da bolha que eu tinha criado para mim. Sou muito aberta para aprender com culturas diferentes e isso me trouxe vários aprendizados.

Quais? – “A importância de confiar na minha história. Não acho que você ou eu precise de mais ninguém para validar o trabalho que a gente faz. Ninguém precisa dizer para você que o seu trabalho é bom ou ruim. O que você precisa é da bagagem que você trouxe desde que nasceu.

(…) Confiar na sua história e nunca achar que vale menos do que o outro porque teve menos acesso a lugares, a espaços. (…) Se você fizer isso, pode ter certeza que vai ter alguma coisa do seu passado, que você aprendeu, que vai ajudar na sua carreira.

Você passou por algum desafio para pensar desta forma? – O meu desafio até hoje é a minha relação com o trabalho. Não importa tudo o que eu já fiz, aprendi e cresci. A minha impostora está sempre presente no dia a dia. Às vezes, ela consegue falar mais alto do que os meus pensamentos.

Como lida com isso? – Uma das formas que eu criei — e nem imaginei que faria isso para me blindar da impostora — foi trabalhar muito. Eu acumulava (e ainda acumulo) mais projetos do que horas no dia, e indiretamente isso traz uma sensação de ser uma boa profissional. Eu sinto que meu dever está cumprido. Sei que não é algo bom e estou tentando trabalhar isso. Uma das coisas é olhar a minha história e buscar referências que me ajudem a aprender tudo o que eu desaprendi ou não tenha aprendido certo.

Sobre o mercado de comunicação corporativa. Por que é importante para as empresas? – A gente sabe que a maneira como uma marca é percebida pelo mercado tem grande impacto no sucesso da companhia. Cada vez mais as pessoas e as empresas estão sendo canceladas [na internet] por erros que elas comentem no dia a dia. Isso coloca todo o trabalho de reputação feito por anos no ralo. Aí entra o trabalho de comunicação corporativa para a gente conseguir gerenciar todos esses fatores que impactam na percepção da marca. Desde o posicionamento dos líderes até como a companhia pensa e divulga os seus valores. Trabalhar com isso é muito complexo, mas é indispensável quando se pensa na importância da imagem hoje para os negócios.

Poderia dar algum exemplo? – Claro. As empresas precisam realmente viver os valores que estão externalizando na comunicação. Se a marca, por exemplo, é anti-racista, não adianta só falar sobre isso no site. É preciso contratar mais profissionais negros, reparar a dívida histórica que foi deixada e ter ações concretas. As organizações precisam viver os valores que estão externalizando na comunicação. Antes da marca se comunicar com o mercado ela precisa fazer o que é certo para a comunidade, funcionários, clientes e meio ambiente.

 

Fonte: Startse

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