Fazenda de cria planeja quintuplicar a lotação de animais por hectare

A rotina de um executivo no mundo corporativo não é tarefa fácil, envolve muitos compromissos e decisões importantes precisam ser tomadas a todo tempo. Uma escolha errada ou um passo mal calculado pode colocar tudo a perder. Após muitas décadas neste cenário, correndo entre aeroportos, reuniões e hotéis, quando esteve à frente de quatro multinacionais dos mais variados setores, o administrador e engenheiro Renato Leão Cavalcanti, sentiu que era a hora de assumir um novo desafio na vida: voltar para o campo para fazer a gestão das fazendas da família, com mais de 50 anos, no município de Santo Anastácio, cerca de 30 quilômetros de Presidente Prudente, no oeste paulista.

Há quase 6 anos com a botina no pé, o empresário está aplicando em suas duas fazendas, Brasília e São José, todo aquele padrão gestão que aprendeu e foi treinado como executivo. Ou seja, um modelo profissional com todas as tomadas de decisões embasadas em números e medições. “Nestes últimos anos estou 100% com a cabeça nas fazendas. Eu acredito muito na tecnologia e nós fomos entrando e experimentando inovações. O que nós precisamos é no fim do dia, ganhar dinheiro com a pecuária, uma atividade que pode ser muito difícil, do ponto de vista de rentabilidade, quando mal gerida”, ressalta.

Mais boi no pasto – A estratégia implementada pelo administrador, além de aumentar a eficiência dos animais, por meio do manejo diferenciado e genética de qualidade, também foi focar na qualidade das pastagens. Para a recuperação dos pastos e solos degradados a escolha foi realizar parcerias.

Uma delas é com a Soesp – Sementes Oeste Paulista, a empresa fornece sementes de pastagem (Braquiária e Panicum) com a tecnologia Advanced. Ou seja, a semente blindada já recebe tratamento industrial de dois fungicidas e um inseticida além de alta pureza. “Estas características indicam maior confiabilidade no plantio, reduzindo as chances de perdas em campo. As sementes Soesp nos ajudam a garantir a formação de uma pastagem homogênea,contribuindo para o aumento da produtividade do rebanho e otimização da produção da fazenda como um todo. Também temos pedido para que os nossos parceiros na Integração Lavoura Pecuária (ILP) a utilizem”, ressalta Cavalcanti.

A ILP foi uma das tecnologias que mais despertou a atenção do empresário para mudar de forma rápida a paisagem das fazendas. Isso porque as propriedades da região, inclusive a sua, estavam em um estado muito avançado de degradação.  Para pôr em prática o projeto, buscou parceiros que tivessem melhor aptidão com a agricultura. “Eu não queria entrar no ciclo agrícola, visto que já conseguia fazer satisfatoriamente a parte da pecuária. Como não queria me aventurar na agricultura, o que nós fizemos foi buscar bons parceiros”, lembra o produtor.

Hoje estes parceiros cuidam do ciclo de agricultura e Cavalcanti cuida da pecuária. Com essa gestão muito bem sincronizada, os resultados são cada dia melhores.  Utilizando nas fazendas milho, batata-doce e soja, ao voltar com o pasto, a qualidade do solo e das pastagens é muito melhor, trazendo ganhos diretos para a pecuária, como por exemplo, maior lotação média por hectare.

Nas áreas de ILP a lotação passou de 1/2 UA (Unidade Animal) para até 3 cabeças por ha com alta eficiência e ganho de peso. Animado com o resultado, Cavalcanti não para de investir. “Nossa meta é chegar a quatro cabeças por hectare. Em alguns talhões onde adubamos e entramos com tecnologias mais intensivas já conseguimos isso. A ideia é ampliar por toda a propriedade em pouco tempo”, afirma.

Ainda segundo o produtor, a ILP além de melhorar significativamente a qualidade das pastagens aumentando a lotação por área, tem sido fundamental principalmente para pastos no inverno, algo fundamental para quem faz cria. “Eu acredito que o segredo da pecuária, não está em extensão de área e sim em você trabalhar em áreas menores e ser muito eficiente, e a ILP tem provado isso. Sempre destaco que tecnologia e gestão devem andar juntas”, diz ele.

Gestão apurada – Atualmente, nas duas fazendas que gerencia, que juntas somam 750 hectares, Cavalcanti realiza a atividade de cria. Nesta safra teremos 700 fêmeas nelore em idade reprodutiva, frutos de uma genética focada em pressão de seleção. Nos últimos anos, ele buscou agregar a essa genética que já tem em seu DNA, muita rusticidade, por meio da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), mais precocidade sexual e de abate, aliado à habilidade materna e à docilidade, sempre focado em uma pecuária mais rentável.

De olhos sempre nos números, recentemente, o produtor também introduziu no seu processo de seleção o CAR – Consumo Alimentar Residual (do inglês RFI – Residual Feed Intake) que é uma medida de eficiência alimentar. De forma simplificada, seu cálculo é efetuado pela diferença entre o consumo de alimento real e esperado, considerando o Peso Vivo (PV) e ganho de peso diário (GPD) do animal. Desta forma, é possível identificar os bois mais e menos eficientes. “Queremos animais com alta conversão alimentar. É isso que nós estamos procurando hoje, nessa nova genética, que estamos colocando dentro da nossa”, ressalta o pecuarista.

Para os bezerros, o foco de eficiência de ganho de peso é fundamental no processo de desmama, no qual todos passam pelo sistema creep-feeding.  Ou seja, a ferramenta é utilizada para aumentar o ganho de peso dos jovens animais à desmama através da utilização de um cocho privativo, dentro de um cercado, ao qual só o bezerro tem acesso. Trata-se de um reforço alimentar com uma ração concentrada balanceada enquanto estes ainda estão mamando.

Segundo o produtor, ao aliar todas estas tecnologias, a fazenda tem conseguido nos últimos anos colocar quase 50 quilos a mais nos bezerros e bezerras. Somado a isso há um trabalho em conjunto com empresas de melhoramento genético, para selecionar os animais com melhor ganho de peso. “Nessa estação eu ainda não tenho os números finais, mas os machos vão bater entre 200 kg e 210 kg e as fêmeas entre 190kg e 195 kg.  A melhor forma de aliviar a vaca é tratando bem o bezerro. Durante essa fase de amamentação é onde o animal mais converte”, destaca.

Alta fertilidade – Com animais bem nutridos, com manejo eficiente, aliada às tecnologias de última geração, as fazendas Brasília e São José também impressionam pela alta fertilidade do rebanho. Segundo Cavalcanti, o índice de prenhez da última estação de monta foi 87%, para todas as categorias. Hoje, as fazendas trabalham com novilhas precoces ou até superprecoces que já estão emprenhando aos 11 meses. “O nosso foco de seleção tem sido com as novilhas entre 12 e 16 meses, categoria que temos dado muita atenção e onde mais apostamos, buscando uma pecuária de ciclo curto”, finaliza.

 

Fonte: Rural Press

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