Foguetes lançados contra aeroporto de Cabul são interceptados

Em meio à corrida contra o tempo para concluir retirada americana do Afeganistão, projéteis são disparados contra aeroporto da capital, e ao menos cinco são derrubados por sistema antimísseis.

Os Estados Unidos interceptaram e derrubaram foguetes disparados contra o aeroporto de Cabul na manhã desta segunda-feira (30/08), onde militares americanos correm contra o tempo para concluir sua retirada do Afeganistão dentro do prazo previsto, até esta terça, selando o fim de 20 anos de guerra no país.

Uma fonte do governo dos EUA citada pela agência de notícia Reuters e pelo New York Times afirmou que ao menos cinco foguetes foram derrubados por um sistema antimísseis e que inicialmente não foram registradas vítimas.

Segundo a fonte, que falou em condição de anonimato, o aeroporto permanece aberto. A Casa Branca também confirmou que as operações no local seguem ininterruptas. Nenhum grupo reivindicou a autoria dos disparos.

Relatos da mídia afegã afirmaram que os projéteis partiram da parte traseira de um veículo. De acordo com a agência de notícias Pajhwok, vários foguetes atingiram diferentes partes de Cabul.

Segundo um comunicado emitido pela Casa Branca, após ser informado do disparo dos projéteis, o presidente Joe Biden reforçou sua ordem para que comandantes militares do país façam “tudo o que for necessário” para proteger as forças americanas.

Como aponta o New York Times, a interceptação dos projéteis evidencia a precariedade da situação no aeroporto e o perigo de um iminente vácuo de segurança no Afeganistão após o fim da mais longa guerra já travada pelos Estados Unidos.

Corrida conta o tempo

Washington já retirou cerca de 114 mil pessoas do Afeganistão – incluindo estrangeiros e afegãos em risco – numa operação iniciada um dia antes de Cabul ser tomada pelo Talibã, em 15 de agosto. Os EUA e países aliados devem concluir a retirada do país até o fim de agosto em cumprimento do prazo acordado com os militantes islamistas.

Os esforços para sair do país se tornaram mais urgentes após ataques reivindicados pelo braço afegão do “Estado Islâmico” (EI)ocorridos na quinta-feira, deixando ao menos 169 afegãos e 13 militares dos EUA mortos. O número de soldados americanos no aeroporto caiu para menos de 4 mil no fim de semana.

Neste domingo, um ataque com drone lançado pelos EUA matou um homem-bomba em seu veículo, o qual o Pentágono afirmou que estava se preparando para cometer um atentado com o aeroporto de Cabul em nome do braço afegão do EI, o “Estado Islâmico Khorasan” (EI-K), inimigo tanto do Ocidente quanto do Talibã.

O Comando Central dos EUA afirmou estar investigando relatos de vítimas civis após o ataque com drone. “Sabemos que houve explosões subsequentes substanciais e poderosas, resultantes da destruição do veículo e indicando que havia uma grande quantidade de material explosivo em seu interior, a qual poderia ter causado mortes adicionais”, disse.

A ameaça do “Estado Islâmico” forçou as forças americanas e o Talibã a cooperaram para garantir a segurança no aeroporto. No sábado, combatentes talibãs escoltaram afegãos de ônibus até o terminal de passageiros, entregando-os para militares dos EUA para que fossem retirados do país.

Duas fontes do governo americano afirmaram à Reuters que os esforços de evacuação continuariam nesta segunda, dando prioridade a pessoas sob risco extremo. Mas dezenas de milhares de afegãos que tentam desesperadamente fugir do domínio talibã devem ser deixados para trás.

Promessa de vingança

Neste domingo, Biden participou de uma cerimônia na base aérea de Dover, no estado de Delaware, em homenagem aos 13 integrantes das Forças Armadas americanas mortos nos ataques suicidas de quinta-feira. Eles tinham entre 20 e 31 anos de idade.

Biden acompanha chegada aos EUA dos corpos de 13 militares americanos vítimas de ataques em CabulBiden acompanha chegada aos EUA dos corpos dos 13 militares americanos vítimas de ataques em Cabul

Biden prometeu vingança após o atentado. No sábado, os EUA afirmaram ter matado dois militantes do EI-K num ataque com drone. O Talibã condenou a investida americana, ocorrida na província de Nangarhar, que faz fronteira com o Paquistão.

A retirada das últimas tropas marcará o fim da intervenção militar liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão iniciada no fim de 2001, após os ataques perpetrados pela Al Qaeda nos Estados Unidos em 11 de setembro daquele ano. Os EUA e aliados derrubaram o então governo talibã (1996-2001), que tinha abrigado o líder da Al Qaeda, Osama bin Laden, morto pelas forças dos EUA no Paquistão em 2011.

Agora, o Talibã prometeu um regime mais moderado do que o anterior, marcado por uma interpretação rígida da sharia, a lei islâmica, com violações de direitos básicos e opressão às mulheres. Mas muitos afegãos temem uma volta ao passado.

Fonte: DW

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