Ford: ‘Não queremos subsídio, mas competitividade’

Presidente da ANFAVEA - Luis Carlos Moraes

SÃO PAULO — O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, afirmou nesta quarta-feira que o setor não defende novos subsídios e criticou a politização do anúncio do fechamento das fábricas da Ford no Brasil.

Segundo dados da Receita Federal, o setor automotivo acumula mais de R$ 50 bilhões em subsídios desde 2002. O dirigente da entidade apontou incentivos tributários como uma forma de corrigir distorções do sistema de impostos brasileiro.

Foi o primeiro posicionamento da entidade após o anúncio do fim da produção da montadora americana no Brasil, na segunda-feira, e da reação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que afirmou na terça-feira que a “Ford não disse a verdade, querem subsídios”.

— A gente não quer subsídios, quer competitividade. Estamos há anos mostrando medidas que precisam ser feitas para melhorar a competitividade no Brasil — afirmou Moraes, em entrevista.

Antes dessa declaração, ele citou todos os alertas que a Anfavea fez desde abril de 2019, pedindo reforma tributária, mostrando comparativos que indicam que o custo de produzir no Brasil é, por exemplo, 18% maior que no México, melhoria do ambiente econômico e atacando o “manicômio tributário” do Brasil.

O fechamento de três fábricas da Ford no Brasil e a reorganização de sua produção na América do Sul em fábricas de paises vizinhos, como Argentina e Uruguai, deve provocar o fim de cerca de 5 mil postos de trabalho.

O BNDES, que tem R$ 335 milhões em empréstimos para incentivar investimentos da Ford no Brasil ainda ativos, pediu explicações à montadora. Segundo o colunista do GLOBO Lauro Jardim, a montadora recebeu cerca de R$ 20 bilhões em incentivos fiscais no país.

Em reunião em Brasília na terça-feira, diretores da empresa explicaram ao Tribunal Superior do Trabalho que o fechamento da fábrica foi decidido após cessarem alternativas.

‘Black Friday’ dos impostos

O presidente da Anfavea comparou os incentivos fiscais no Brasil à estratégia de muitas varejistas na Black Friday: elevar preços na véspera para oferecer grandes descontos na promoção.

Usando essa analogia, ele afirmou que os impostos no Brasil são tão elevados, que, em sua opinião, eventuais “subsídios” apenas trazem os tributos para uma taxa mais adequada.

— O custo do Estado é muito pesado, ninguém aguenta mais pagar imposto. E daí vêm pessoas falar em subsídio. Na verdade é igual ao que eu falei da Black Friday: aumenta o preço para dar o desconto. Vamos ser honestos: é impossível desenvolver uma indústria com esta carga tributária — disse Moraes.

Fonte O Globo

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