Indústria reforça produção aos sábados para dar conta de demanda

Prioridade é a confecção de produtos mais procurados para o combate ao coronavírus, como máscaras e aventais

Após meses de negócios em queda devido à pandemia, recuperação no setor está sendo mais rápida do que se esperava e tem exigido até horas a mais de trabalho.

De olho na recuperação da economia e nas encomendas de fim do ano, alguns setores da indústria estão convocando jornadas de trabalho aos sábados.

É fim de semana e as máquinas continuam ligadas. Depois de meses de negócios em queda por causa da pandemia, a recuperação na indústria está sendo mais rápida do que se esperava, e está exigindo até horas a mais de trabalho. De olho na Black Friday e nas vendas do Natal, algumas fábricas de eletroeletrônicos e eletrodomésticos já ampliaram os turnos e estão funcionando aos sábados.

Dá para entender por que pelos números: o setor amargou duas quedas seguidas nas vendas da indústria para o varejo: 11,7% nos três primeiros meses do ano e 19% no segundo trimestre. Mas a partir de julho os pedidos voltaram a subir, com crescimento de 2,2%.

Ao comparar as vendas do 3º trimestre de 2020 com as do segundo, o aumento foi de 73%.

“A retomada foi surpreendente e inesperada na proporção que ela veio. A gente ainda não tem conhecimento se isso é em decorrência de uma demanda reprimida, com as pessoas muito tempo dentro de casa, não puderam sair, não puderam viajar. Logo, tiveram uma reserva financeira”, afirma o presidente da Eletros, Jorge Nascimento.

Uma das maiores montadoras de caminhões e ônibus do país começou a funcionar aos sábados em outubro e deve continuar em novembro. A previsão, que era de queda de 40% para o setor, foi revista.

“O número atual dá conta de -20% comparado ao ano passado. Ou seja, ainda é uma queda, só que não é tão acentuada quanto no início da pandemia”, explica o diretor de Relações Institucionais da Scania, Gustavo Bonini.

Os sábados também tem sido de trabalho numa fábrica de rodas e rodízios, em São Paulo. O que segurou o faturamento até julho foram os pedidos dos hospitais. Depois, veio a recuperação. Em outubro, teve até crescimento.

“60,23% de crescimento. Uma coisa assim, completamente inesperada”, diz o empresário Mario Schioppa Neto.

É momento de retomada, mas ainda com todas as restrições trazidas pela pandemia. Um setor de uma fábrica, por exemplo, teve que reduzir o número de funcionários que trabalham juntos em cada turno, para manter o distanciamento e evitar aglomerações. E uma das saídas para atender a demanda maior foi aumentar o número de horas extras.

A fábrica também contratou 36 funcionários temporários. O Rafael Abrantes, que ficou desempregado pouco antes da pandemia, agora está com esperança de ser efetivado. “Foi passado para mim somente dois meses, mas com a possibilidade de estender a contratação. Eu estou com fé em Deus que vai dar tudo certo”, conta ele.

 

Fonte: G1 Globo

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