LGBTQ – Governo do Reino Unido se desculpa por lei discriminatória

Pedido de desculpas foi feito às vésperas do Reino Unido ser um dos anfitriões da cúpula da Coalizão pela Igualdade de Direitos

Até 1991, Ministério das Relações Exteriores proibia pessoas LGBTQ de trabalhar para o serviço diplomático. Chancelaria admite que regra equivocada acabou com carreiras e fez o país perder “talentos brilhantes”.

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido divulgou nesta segunda-feira (05/07) um pedido de desculpas por causa de uma lei que esteve em vigor até 1991 e que proibia pessoas LGBTQ de trabalhar para o serviço diplomático.

Em uma mensagem dirigida aos funcionários da pasta, o subsecretário permanente de Assuntos Exteriores e chefe do serviço diplomático britânico, Philip Barton, explicou que a lei se baseava na crença equivocada da época de que as pessoas LGBTQ eram “mais suscetíveis” a chantagem, o que suporia “um risco para a segurança”.

Barton reconheceu que carreiras de funcionários “acabaram, foram interrompidas ou encerradas antes mesmo que pudessem começar”, o que fez com que o Reino Unido perdesse “alguns de seus talentos mais brilhantes”.

“Quero me desculpar publicamente pela proibição e pelo impacto que houve em nossos funcionários LGBTQ e familiares, tanto aqui no Reino Unido, quanto no exterior”, afirmou no comunicado.

Barton garantiu que o Ministério de Relações Exteriores fez um “grande progresso” nos últimos 30 anos, desde que derrubou a lei discriminatória, se convertendo em um empregador “orgulhoso e inclusivo” de pessoas LGBTQ.

O chefe da diplomacia do Reino Unido, Dominic Raab, disse estar “grato” aos diplomatas LGBTQ britânicos “que representam nosso país de maneira tão brilhante e promovem nossos valores em todo o mundo”.

O pedido institucional de desculpas chega às vésperas de o Reino Unido ser anfitrião, junto com a Argentina, da cúpula da Coalizão pela Igualdade de Direitos.

A conferência, que acontecerá terça e quarta-feira, reunirá 42 países, com representantes de organizações internacionais, como Nações Unidas e Banco Mundial, para buscar uma estratégia de cooperação internacional em matéria de direitos da comunidade LGBTQ.

Outros pedidos de desculpas

O pedido desta segunda-feira é mais um esforço do Reino Unido para corrigir injustiças cometidas contra pessoas LGBTQ. O chefe do serviço de inteligência estrangeira se desculpou em fevereiro por uma política histórica semelhante à do Ministério das Relações Exteriores, chamando-a de “errada, injusta e discriminatória”.

Depois, o Ministério da Defesa anunciou que permitiria que ex-militares demitidos por causa de sua sexualidade recuperassem as medalhas perdidas.

Em março, o Banco da Inglaterra emitiu as primeiras notas de 50 libras com a estampa de Alan Turing, o matemático e cientista da computação conhecido por decifrar o código nazista Enigma, na Segunda Guerra Mundial. Em 1952, Turing foi condenado à castração química, depois de ter sido preso por indecência grave, ao manter relações sexuais com um homem – uma ofensa criminal na época. Turing morreu em 1954, embora não esteja claro se ele tirou a própria vida.

Em 2009, o então primeiro-ministro britânico Gordon Brown pediu desculpas postumamente a Turing em nome do governo. Em 2013, após pressão de ativistas em todo o Reino Unido, a rainha Elizabeth 2ª concedeu perdão real ao matemático.

No Reino Unido, a Lei Alan Turing, de 2017, perdoou todos os homens que haviam sido condenados por indecência grave. Os atos homossexuais entre homens foram descriminalizados na Inglaterra e no País de Gales em 1967.

Fonte: DW

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