Líderes europeus alertam para a necessidade de comprometimento com a luta contra o aquecimento global

Vista aérea do vilarejo de Schuld, na Alemanha, destruído pelas fortes chuvas Foto: CHRISTOPH REICHWEIN / AFP

Temporal que assolou vários países europeus provocou enchentes, quedas de árvores e desabamentos de edificações; Alemanha é o país mais afetado.

As autoridades europeias alertaram para a necessidade de comprometimento com a luta contra o aquecimento global para frear tragédias como as chuvas torrenciais na Alemanha, na Bélgica e na Holanda. Segundo os cálculos, há mais de 120 mortos, em sua grande maioria no Oeste alemão, e 1,3 mil pessoas não localizadas, naquela que é a maior tragédia climática na região em mais de um século.

Devido às enchentes, encostas desabaram, rios transbordaram e invadiram cidades, casas foram destruídas, carros foram arrastados, árvores foram arrancadas e estruturas de construções públicas foram destruídas. A repórteres, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que isso é um “claro sinal” da necessidade de se agir urgentemente:

— É a intensidade e a dimensão dos eventos que a ciência nos diz ser um claro sinal da mudança climática e da necessidade de ações urgentes — afirmou.

O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, similarmente, fez um apelo por comprometimento com o combate à crise ambiental, dois dias após a União Europeia anunciar um ambicioso plano para sua transição verde. Com mudanças que vão dos carros à calefação das casas sem uso de combustíveis fósseis, o bloco almeja reduzir as emissões de carbono em 55% até 2030.

—  Apenas se nos comprometermos de forma incisiva com a luta contra a mudança climática, poderemos controlar condições meteorológicas extremas como as que vivemos atualmente — disse ele.

Há, até o momento, 103 mortos na Alemanha e 18 na Bélgica. As chuvas também afetam a Holanda, a Suíça e Luxemburgo, mas em menor escala.

A situação é mais crítica no estado alemão da Renânia-Palatinado, onde o governo local estima que o número de mortos ultrapassa 60, de acordo com autoridades locais. A situação é particularmente grave no pequeno município de Schuld, onde várias casas desabaram e há dezenas de desaparecidos.

As autoridades locais decretaram estado de catástrofe e pediram que as pessoas ficassem em casa, de preferência em locais mais altos da residência. Helicópteros foram acionados para os trabalhos de resgate. Dois bombeiros morreram durante as buscas nas cidades de Altena e Werdohl.

Na Renânia do Norte-Vestfália, outro estado bastante afetado, já são ao menos 43 mortes. As autoridades decretaram estado de catástrofe e pediram que as pessoas ficassem em casa, de preferência em locais mais altos da residência. Helicópteros foram acionados para os trabalhos de resgate, que contam com cerca de mil pessoas.

— Nosso estado está vivendo uma enchente catastrófica de dimensões históricas — disse o premier estadual, Armin Laschet, citando destruição significativa em 23 cidades e distritos rurais.

Em uma postagem em sua página do Facebook, o distrito de Bad Neuenahr-Ahrweiler, ao Sul da capital estadual Colônia, afirmou que há cerca de 1,3 mil pessoas desaparecidas, não se sabe se arrastadas pelas águas ou se simplesmente perderam o contato por telefone.

A rede de telefonia móvel entrou em colapso em partes do país e cerca de 114 mil domicílios sem energia, então as autoridades esperam que estas pessoas estejam simplesmente inacessíveis devido a problemas de comunicação. Várias estradas também foram destruídas, e muitos lugares só são acessíveis por botes.

Dois bombeiros morreram durante as buscas nas cidades de Altena e Werdohl. Em Sinzig, ao menos 12 moradores de uma casa para pessoas com deficiência morreram.

A chanceler alemã, Angela Merkel, que visitou Washington na quinta, expressou seu pesar àqueles que perderam entes queridos, e agradeceu aos milhares de voluntários. Ela prometeu o apoio do governo alemão para as regiões afetadas.

— Tudo o que puder ser feito, onde quer que possamos ajudar, nós faremos  — disse ela, acrescentando que a Alemanha recebeu ofertas de ajuda de seus parceiros europeus.

 

Fonte: Jornal O Globo

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