Lobista da Precisa Medicamentos deve ser ouvido pela CPI da Covid nesta quarta-feira

Marconny Faria tem relação de proximidade com Jair Renan Bolsonaro e mensagens indicam que ele influenciou na indicação de cargos no governo

A CPI da Covid deve ouvir nesta quarta-feira o lobista Marconny Faria por supostamente atuar no Ministério da Saúde em prol dos interesses da Precisa Medicamentos, empresa investigada no colegiado pela venda da vacina indiana Covaxin ao governo brasileiro. Marconny ganhou na comissão o apelido de “senhor de todos os lobbies”, cunhado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Conforme revelou o GLOBO, mensagens compartilhadas pelo Ministério Público Federal (MPF) no Pará mostram que o lobista tinha uma vasta teia de contatos em Brasília, incluindo a ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle, e um de seus filhos, Jair Renan Bolsonaro, conhecido como “04”. A empresa de Jair Renan, a Bolsonaro Jr Eventos e Mídia, foi aberta com a ajuda de Marconny.

Os diálogos também revelaram que, a pedido do lobista, Ana Cristina acionou o Palácio do Planalto para influenciar na escolha do defensor público da União, em 2020, junto ao então ministro da Secretaria-Geral, Jorge Oliveira, atual membro do Tribunal de Contas da União (TCU). As mensagens também indicam que, em outra ocasião, Ana Cristina atuou para emplacar uma indicação do advogado em um instituto ligado ao Ministério da Saúde.

Além de familiares do presidente da República, o lobista também mantinha contato com Karina Kufa, advogada do presidente Jair Bolsonaro, e também recorreu a ela para o processo de escolha da Defensoria Pública. Conversas no celular de Marconny mostram que Karina Kufa acionou o Gabinete de Segurança de Institucional (GSI) para influenciar no processo e evitar que um dos candidatos fosse nomeado pelo presidente.

Bacharel em Direito, Marconny apresenta-se como advogado, mas o Cadastro Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem apenas um registro de seu nome, já cancelado, como estagiário.

No início da semana, a Justiça Federal de Brasília autorizou, se necessário, a condução coercitiva de Marconny. Isso significa le poderá ser levado à força se não comparecer espontaneamente. O lobista faltou ao seu primeiro depoimento, que estava marcado para 2 de setembro. Na ocasião, ele apresentou um atestado médico, que foi contestado pela cúpula da Comissão Parlamentar de Inquérito.

Fonte: O Globo

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