Macron estuda dissolver entidades islâmicas após decapitação de um professor perto de Paris

Macron - Presidente da França

Governo francês já abriu mais de 80 investigações sobre campanha de difamação e mensagens de ódio na Internet contra a vítima do atentado terrorista.

O presidente da França Emmanuel Macron, quer intensificar a luta contra o islamismo radical depois da decapitação de um professor que dava aulas sobre a liberdade de expressão, na sexta-feira. Mas não está claro que novas medidas poderiam ser adotadas além das já anunciadas pelo presidente no começo deste mês, num discurso programático contra o que chamou de “separatismo islâmico” na França. Algumas das entidades e personalidades que estão agora na mira das autoridades vêm há bastante tempo difundindo mensagens radicais que não tinham como ser ilegalizadas ou formalmente condenadas.

O ministro do Interior, Gérald Darmanin, anunciou nesta segunda-feira sua intenção de pedir a dissolução de várias organizações, entre elas o Coletivo contra a Islamofobia na França (CCIF, na sigla em francês) e o Baraka City. A polícia iniciou operações contra dezenas de indivíduos que, embora sem relação direta com o atentado, precisam saber que “não haverá descanso perante os inimigos da República”, como declarou Darmanin à rádio Europe 1. Além disso, as autoridades abriram mais de 80 investigações por manifestações de ódio na Internet contra “quem, de forma apologética, alegava de uma maneira ou outra que o professor tinha merecido”.

Macron precisa mostrar que age depois de um atentado que, pela primeira vez, atingiu uma escola, núcleo simbólico da República, e recordou aos franceses de que, depois de quase uma década de atentados que já deixaram 290 mortos, a ameaça terrorista continua ativa. Desta vez o alvo do Governo são as entidades legais que promovem o islamismo radical. Algumas delas contribuíram para difundir o que o ministro chamou de fatwa (um decreto religioso) contra Samuel Paty, o professor decapitado na escola secundária de Conflans-Sainte-Honorine, perto de Paris.

Darmanin se referia à campanha que o pai de uma aluna de 13 anos lançou nas redes sociais contra o professor de história e geografia da menina. O caso ganhou repercussão graças a um pregador chamado Abdelhakim Sefrioui, conhecido pelos serviços de segurança franceses, e a organizações que denunciavam um suposto caso de islamofobia e discriminação na escola. A campanha da qual participaram incitava à perseguição ao professor, num caso que ficou conhecido nos círculos islâmicos radicais.

Em 5 de outubro, Paty havia dado uma aula sobre a liberdade de expressão em que mostrou duas caricaturas de Maomé publicadas pela revista satírica Charlie Hebdo. Onze dias depois, em 16 de outubro, Abdoulakh Anzorov, um refugiado de origem chechena, de 18 anos, que não era aluno dele e vivia a 80 quilômetros de lá, foi até a escola, pediu informação aos alunos sobre o professor e, depois de localizá-lo, o atacou com uma faca, cortou sua cabeça e difundiu as imagens no Twitter com uma mensagem reivindicativa. Pouco depois, morreu ao levar nove tiros da polícia.

Onze pessoas, entre elas o pai da aluna e o pregador, foram detidos para serem interrogados. Até o momento, não foram formalmente acusados de nada. Depois de uma reunião de três horas no domingo à noite, Macron encarregou seus ministros de prepararem ações concretas que poderiam ser adotadas na reunião ministerial desta quarta.

O Governo dispõe de uma lista de 51 associações que serão submetidas a exame nos próximos dias. Algumas poderiam ser dissolvidas, como o CCIF. “Desejo isso”, declarou Darmanin. “Porque eis aí uma associação manifestamente envolvida, porque o pai que lançou uma fatwa contra o professor se referia a esta associação. É uma associação que recebe ajudas estatais e se beneficia de deduções fiscais. Denuncia a islamofobia de Estado. E temos elementos para considerar que são inimigos da República.”

 

Fonte: El País | Internacional

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