Mercado de criptomoedas perdeu US$ 260 bi em dois dias, mas inferno astral está longe do fim

Segundo analistas, ainda há espaço para novas quedas, e a retomada pode depender de os Estados Unidos controlarem a inflação no país

Ainda vai demorar. A derrocada das criptomoedas está longe do fim. Nas últimas 48 horas, segundo estimativas do site CoinMarketCap, o mercado perdeu cerca de US$ 260 bilhões após uma venda massiva de ativos. Segundo analistas, ainda há espaço para novas quedas, e a retomada pode depender de os Estados Unidos controlarem a inflação no país.

Ricaços que viram suas fortunas engordarem com a febre das criptomoedas nos últimos anos perderam, em poucas semanas, bilhões de dólares.

O fundador da Coinbase Global, Brian Armstrong, por exemplo, tinha uma fortuna pessoal de US$ 13,7 bilhões em novembro de 2021, e viu seu patrimônio encolher para  US$ 2,2 bilhões, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index.

Editoria de Arte Foto: O GLOBO
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Outro entusiasta, Michael Novogratz, CEO do banco de criptomoedas Galaxy Digital, viu sua fortuna despencar para US$ 2,5 bilhões, de US$ 8,5 bilhões há seis meses.

O gatilho para as vendas em série foi o colapso da TerraUSD, uma moeda digital ancorada no dólar e, por isso, classificada como stablecoin, que é um tipo de ativo virtual com o objetivo de manter o valor mais estável ao longo do tempo.

Apesar de ter sido desenvolvida para manter a paridade com dólar, de forma que uma unidade de TerraUSD fosse equivalente a US$ 1, a criptomoeda sofreu ataque especulativo e chegou a cair para US$ 0,2250, gerando uma pressão nos demais ativos.

Investidores que aplicavam dinheiro em outras criptomoedas ficaram com medo de que ocorresse o mesmo com as suas aplicações. Dessa forma, venderam os ativos para tentar resgatar o lucro que ainda restava e não ter prejuízo, o que, por consequência, levou a uma desvalorização de diversas moedas.

Além disso, os responsáveis pela manutenção do equilíbrio da TerraUSD venderam parte de suas reservas em Bitcoin e em uma outra criptomoeda chamada Avalanche para assegurar a paridade, o que fez os gráficos ampliarem as perdas.

Luiz Pedro Andrade, analista de criptoativos da Nord Research, acredita que o maior problema foi causado pelo pareamento não ser feito em dólar, mas sim em Luna, outro ativo digital.

Editoria de Arte Foto: O GLOBO
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O uso desse token suavizaria eventuais flutuações de curto prazo. No entanto, o valor da stablecoin TerraUSD depende da confiança dos investidores no valor da Luna. E o valor da Luna é baseado na confiança de que a TerraUSD se mantenha estável.

— A fundação Luna tem uma posição de bitcoins muito grande. Eles já venderam uma parte e devem vender o resto. Já assumiram que não vai dar mais. Isso pode provocar novas pressões vendedoras — opina Andrade: — Quem comprou bitcoin nos últimos dois anos ainda está no lucro e pode querer vender agora para deixar o dinheiro em caixa. Tem muito espaço para essa moeda cair ainda.

Outro fator que vem levando à desvalorização das criptos é o posicionamento do Federal Reserve, o Banco Central Americano, favorável a novas altas de juros para conter a inflação. Como as moedas digitais são ativos de altíssimo risco, diversos investidores estão correndo para a renda fixa, mais segura.

Editoria de Arte Foto: O GLOBO
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Victor Rosa, analista na Kínitro Capital, diz que o mercado está num momento complicado, com diversos ativos caindo até 40%, o que intensificou o temor dos investidores. Para ele, um ciclo de alta só deve acontecer quando as taxas de juros voltarem a baixar e a inflação estiver controlada.

— As criptos são narrativas, são moedas que não produzem caixa, investimentos do mais alto risco. Com a economia desacelerando, os níveis de preços bem amassados, não vejo motivo para essa tendência se reverter. O único jeito é a inflação ceder — pondera.

Na madrugada de quarta para quinta-feira, o preço mínimo da Bitcoin bateu R$130.514,92, menor valor desde dezembro de 2020. Em dólar, às 20h30 de ontem, a moeda era cotada a US$28,992.52. O fundador da Coinnext, José Artur Ribeiro, explica que muitos investidores tinham programado ordens de venda para US$ 30 mil.

Ou seja, se a moeda baixasse para um patamar menor ainda, a plataforma automaticamente venderia os ativos para poupar perdas mais expressivas.

Editoria de Arte Foto: O GLOBO
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As inúmeras vendas também ajudaram a impactar o preço do ativo. Ribeiro calcula que o próximo patamar é o de US$ 27 mil. O receio do mercado, porém, é que a moeda atinja US$ 21 mil.

Nesse caso, a empresa que mais detém bitcoins, a MicroStrategy, com quase 130 unidades, teria que vender 25% da sua carteira por uma cláusula contratual. Isso geraria uma pressão ainda maior no valor do ativo.

— Essas bitcoins foram adquiridos via dívida. Existe uma regra de que se o preço cair na ordem de 40%, a empresa precisa liquidar a sua posição. Pode ser que, com isso, outras empresas façam o mesmo movimento, por exemplo a Tesla, que comprou mais de 43 unidades quando a bitcoin estava no patamar de US$34,7 mil — analisa.

O fenômeno deixa ainda mais latente a necessidade de regulação do mercado, a fim de proteger os investidores. O especialista em criptomoedas, Diego Velasques, sugere que quanto mais empresas e países entrarem nesse sistema, mais rápido o mundo vai acelerar o processo de regulamentação.

Fonte: O Globo

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