“Não há mais grupo de risco. Ser brasileiro é grupo de risco”, diz a epidemiologista Ethel Maciel

A epidemiologista e professora da Ufes, em entrevista à TV 247, afirmou que o quadro da pandemia no Brasil mudou, já que, agora, as internações e mortes de jovens estão em alta. Para ela, toda a população constitui o “grupo de risco”, o que gera um impacto extremamente negativo para o país.

A professora citou os dados de uma nota técnica da Fiocruz tratando das internações entre janeiro e maio deste ano: “80% das internações no início do ano eram de pessoas acima dos 60 anos. Agora, na última semana de maio, só 30%. Vejam que mudança. Ou seja, os leitos de UTI hoje estão ocupados, em sua maioria, mais de 70%, por pessoas com menos de 60 anos”, disse Maciel. “Isso é muito significativo. São pessoas que estão numa idade economicamente ativa, que estão construindo seus sonhos, suas vidas. Então, é um impacto muito grande para o país”.

Ethel afirmou que os dados relativos às mortes pela Covid-19 seguem a mesma tendência. Para ela, a situação é tão grave que já não há mais “grupos de risco”: “Agora, está praticamente 50-50. Quem está morrendo acima dos 60 anos, se não me engano, é 54%. Então, está muito semelhante os abaixo de 60 anos morrendo e os acima de 60 anos. Isso tem que acender um alerta muito forte para a população, porque não existe mais grupo de risco. Eu tenho dito que ser brasileira ou brasileiro, hoje, é o grupo de risco. Estamos numa pandemia, onde a possibilidade de você encontrar alguém doente é grande. Todos nós estamos sob risco”.

*Ethel Maciel é pós-doutora em Epidemiologia pela Johns Hopkins University e professora Titular da Ufes. Ela foi consultora do Ministério da Saúde no Plano Nacional de Vacinação contra à Covid-19. Foi eleita pela comunidade reitora da Ufes em março de 2020, com apoio do Conselho Universitário, mas Bolsonaro recusou-se a empossá-la.

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