Os desafios para os aplicativos de transportes

A crise do coronavírus fez empresas como Uber, Lyft e Airbnb demitirem parte de seus funcionários em todo o mundo.

O ano não tem sido fácil para empresas de transporte por aplicativo. Com a quarentena, menos pessoas precisam de corridas de carro no mundo todo, o que prejudicou em cheio o principal negócio de empresas com a Uber. O tamanho desse tombo deve ser conhecido nesta quinta-feira (7) com a divulgação dos resultados financeiros trimestrais da Uber. Os números são revelados um dia depois de a empresa anunciar o corte de 3.700 postos de trabalho, ou 14% do quadro de funcionários.

A situação difícil tem se refletido no preço das ações. Desde o começo do ano, os papéis da companhia tiveram uma queda de 10% e hoje são negociadas a um valor 40% menor do que na oferta pública de ações (IPO), em maio de 2019.

A chance de a Uber de ter resultados positivos neste primeiro trimestre é com o crescimento do serviço de delivery Uber Eats, que representou 18% do faturamento da Uber em 2019. O serviço tinha crescido 10% em março, quando diversos países já estavam em quarentena.

Em uma conferência com investidores no início do ano, Dara Khosrowshahi, presidente global da Uber, disse que o volume de corridas tinha caído 70% em algumas cidades nos Estados Unidos, como Seattle. A companhia considera usar seu aplicativo de celular para viabilizar entregas de produtos, como medicamentos e itens básicos.

Khosrowshahi afirmou ainda que a empresa possui 10 bilhões de dólares em caixa para uso irrestrito e que esperava terminar o ano com um saldo de 6 bilhões de dólares, sendo que 1,5 bilhão de dólares estariam reservados para aquisições de empresas. No ano de 2019, a Uber teve um prejuízo líquido de 8,5 bilhões de dólares. Até fevereiro, expectativa da empresa era atingir o lucro líquido até o fim deste ano.

Nesta semana, a americana Lyft, concorrente da Uber, reportou um crescimento de 23% na receita do primeiro trimestre de 2020 em relação ao mesmo período no ano passado, passando de 829,6 milhões de dólares para 955 milhões de dólares. Apesar do resultado positivo, a empresa também demitiu. Quase mil postos foram cortados, o que representa 17% do quadro de colaboradores da Lyft.

A crise do coronavírus afeta não só a saúde pública, mas também os negócios dos unicórnios, como são chamadas as startups que têm valor de mercado de mais de 1 bilhão de dólares, como Uber e Lyft. O tema é pauta de reportagem da edição de hoje da revista Exame.

No setor de hospedagem, o Airbnb passa por dificuldades parecidas. Com as viagens reduzidas ao extremo, a companhia americana teve que demitir 1.900 pessoas, cerca de 25% dos seus funcionários, devido ao que chamou de “a crise mais angustiante desta época”. A startup americana de viagens TripActions, avaliada em 4 bilhões de dólares, também foi afetada pela quarentena e informou que terá que demitir 296 pessoas, cerca de 30% dos funcionários.

No mercado de redes sociais, o aplicativo Pinterest reportou crescimento de 35% no faturamento no primeiro trimestre de 2020, indo de 201,9 milhões de dólares para 272 milhões de dólares na comparação anual. O número de usuários da companhia atingiu 367 milhões globalmente, um aumento de 26%. No entanto, o prejuízo da startup deu um salto e cresceu 241%, chegando a 141 milhões de dólares. O motivo é que a crise do coronavírus desacelerou o mercado publicitário, e os anúncios são o principal negócio do Pinterest.

 

Fonte: Revista Exame

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