Passeios de lancha e escuna viram alternativas durante a pandemia

Foto: Adilton Venegeroles | Ag. A Tarde

O enfrentamento à pandemia de Covid-19 trouxe diversos desafios aos que desejaram manter algum tipo de entretenimento fora do isolamento domiciliar. Na busca por alternativas que respeitassem as recomendações de saúde orientadas pelo Ministério da Saúde, um notável crescimento nos passeios náuticos foi observado nas praias da capital baiana.

Atuando no setor de turismo desde 2014, com frentes nacionais e internacionais, e no setor de Charter Náutico, com o aluguel de lanchas, Chris Medeiros, proprietária da empresa Lancha Salvador vê como positivo o crescimento pela busca do serviço neste período.

“Além de ser extremamente interessante para o empresário do setor, esse aumento reflete o quanto a nossa cidade está cada vez mais atraente. E não falo isso apenas para turistas de fora da Bahia, mas para os soteropolitanos. É incrível ver as reações dos clientes locais. Muitos se emocionam durante os passeios. Salvador é vista por um ângulo totalmente novo. Moramos num paraíso, e isso está ficando cada vez mais evidente para todos”, comemora.

Com passeios pela orla baiana, que variam entre R$ 750 e R$ 2 mil, o sistema foi totalmente adaptado ao conhecido ‘novo normal’, estabelecido para o funcionamento de atividades externas.

Segundo a empresária, além das normas estabelecidas pelos órgãos de saúde, como a utilização obrigatória de máscaras, distanciamento físico e presença de álcool em gel nas lanchas, os passeios foram limitados para até 10 pessoas, como forma de impedir aglomerações.

“Nossa equipe está sempre em revezamento de escala, evitando colocar a mesma tripulação por dias seguidos nos passeios. Era muito comum um acompanhamento mais próximo do marinheiro durante o passeio. Sempre ajudando com bebidas, comidas e auxiliando de forma pró-ativa em todos os momentos do dia. Infelizmente, neste momento, não podemos estar tão próximos dos clientes assim. Os mesmos entenderam bem, e sabem que é a melhor forma de agirmos para passarmos logo por isso”, explica.

Comemorando a grande procura pelo serviço, Medeiros também ressaltou a importância econômica dos passeios turísticos em meio aos problemas financeiros encarados pela maioria dos empreendedores do Brasil.

“Certamente é um setor que respirou mais rapidamente nesta crise toda. Acreditamos que dias melhores ainda estão por vir, mas não podemos reclamar. Falando em uma visão mais ampla, esse crescimento foi fundamental para o ecossistema náutico da Bahia. Os aluguéis de lanchas giram milhões de reais por mês de forma direta e indireta. Desde o marinheiro, equipe de suporte, passando pelas marinas, postos de combustíveis, restaurantes, manutenção, acessórios, etc”, conclui.

Moradora do bairro da Capelinha, em Salvador, a artesã Zildete Almeida, 52 anos, tem o mar como o seu quintal, porém, já não se recorda quando foi a primeira viagem pelo litoral da Bahia.

“Foi há muitos e muitos anos. Não tenho noção de quantas vezes foram. É algo especial, diferente. Estar em alto mar, conhecer outras Ilhas e outras pessoas”, conta a artista.

Segundo a soteropolitana, neste momento de dificuldade enfrentado pelo povo brasileiro, atividades como essas ajudam a superar os problemas e fugir da rotina. “Vejo que os passeios funcionam como uma espécie de escape dessa pressão que estamos vivendo no momento”, declara.

No ramo há cerca de 7 anos, o coordenador de outra empresa de viagens, Luís Anselmo, de 52 anos, responsável pelo grupo que realiza passeios por pontos turístico do litoral nordestino, como Itacaré, Ilhas dos Frades e Loreto revela que o aumento foi significativo durante a pandemia.

“Posso afirmar que, apesar do receio entre os clientes, houve um crescimento percentual de cerca de 40% no número de clientes interessados no serviço nos últimos meses”, conta.

Para o músico, Arlesson Souza, de 50 anos, também soteropolitano, o serviço e a possibilidade de conhecer novos lugares e pessoas que possam integrar um novo círculo de amizades é extremamente positiva. “Eu acredito que a opção é sair um pouco do confinamento para estar em alto mar e por ser um local com mais ventilação, ao ar livre”, garante.

Opinião do especialista – Em entrevista ao Portal A TARDE, o médico Claudilson José Bastos, alertou para os cuidados que devem ser tomados pelos usuários que desejam realizar esse tipo de programa pela primeira vez ou aos que já possuíam o hábito de navegar pelas orlas de Salvador.

“Em relação aos passeios de lancha, é necessário se ter os mesmos cuidados que em outras situações. As medidas básicas de utilização de máscaras enquanto estiver em ambientes. Evitar aglomerações, deixando o menor número possível de pessoas na embarcação, além de respeitar o distanciamento. Sabemos que são coisas difíceis, porém, necessárias”, explica o médico.

No entanto, o especialista orienta que os passeios sejam feitos, de preferência, entre pessoas mais próximas, a fim de evitar contágios de um ciclo mais amplo.

“O indicado é viajar com familiares, pessoas mais próximas, caso contrário, pessoas que têm situação de menor risco, e que tenham realizado os testes sorológicos, ou de RT-PCR (teste rápido), antes para que não ocorram surpresas após os passeios, como geralmente acontecem”, conta.

Ainda de acordo com o infectologista, a realização de atividades em espaços abertos, como os passeios de embarcações, são mais adequadas, tendo em vista a questão da ventilação, o que facilita a saída do vírus.

Habituado a programas deste tipo há cerca de 4 anos, o cantor garante que vem mantendo o cuidado durante as viagens e recomenda os passeios. “É um entretenimento que eu recomendo. Neste momento de pandemia, tivemos que nos adaptar à realidade. Sempre respeitando as normas de segurança, utilizando máscaras, álcool em gel, lavando as mãos e respeitando o distanciamento”, afirma.

Outra orientação do especialista é sentar nos mesmos lugares, sempre que possível.

“É importante realizar uma espécie de demarcação, evitando que outras pessoas possam contaminar o seu lugar, através do contato, pois sabemos que além da transmissão oral e nasal, o toque é uma em veículo de contaminação”, explica.

 

Fonte: Jornal A Tarde

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