Por que a China deve manter o crescimento econômico

Bandeira da China - Foto: Reprodução

A desaceleração do crescimento econômico da China tem causado muita apreensão entre os economistas. Em uma recente cúpula financeira, Yu Yongding sugere que a política fiscal deveria desempenhar um papel maior no estímulo ao crescimento econômico do país.

A pandemia ainda não terminou, mas a expansão da política fiscal da China diminuiu: no primeiro semestre deste ano, as receitas fiscais aumentaram 21,8% – 13,7 pontos percentuais em relação ao orçamento – enquanto as despesas fiscais cresceram 4,5% – apenas 2,7 pontos percentuais em relação ao aumento planejado. Yu considera que esta política de contenção fiscal raramente foi vista no passado, levando a alertas sobre a retirada prematura do apoio fiscal em 2010, o que contribuiu para o declínio do crescimento econômico da China durante a década seguinte.

Alguns economistas receiam que a política fiscal expansionista possa vir a acelerar a inflação e elevar os níveis da dívida. Yu argumenta, no entanto, que o índice de preços ao consumidor (IPC) da China – uma medida do custo de vida variável utilizada para avaliar a inflação – permanece baixo, o que não é necessariamente um bom sinal.

 

O IPC do país aumentou 1,5% em outubro de 2021, em comparação com uma taxa de inflação normal de 3% ou mais nos países em desenvolvimento. Além disso, devido às condições especiais da China – alta poupança, domínio das instituições financeiras estatais, alta capacidade de gerir crises – sua tolerância à dívida deve ser significativamente maior do que a dos países ocidentais. Se a China se concentrar na redução da taxa de alavancagem macro – incluindo a razão da dívida/PIB nos setores financeiro, doméstico, não financeiro e governamental – em um momento em que o ímpeto de crescimento se enfraqueceu, pode, ao invés disso, agravar os riscos macrofinanceiros.

Considerando que a economia está passando por uma deflação com baixo consumo e despesas de investimento privado, Yu sugere que a China deve aumentar os gastos do governo em infraestrutura, a qual sempre foi a “força estabilizadora” (定海神针 dìnghǎi shénzhēn) para a economia. Em resposta às críticas aos gastos ineficientes e excessivos da China em infraestrutura, Yu contrapõe que este investimento fornece bens públicos e, portanto, não deve ser medido por retornos comerciais. Além disso, as inundações ocorridas em várias cidades no último verão expuseram deficiências na infraestrutura do país.

US out of line labeling China a currency manipulator - Global TimesYu Yongding (余永定) é ex-diretor do Instituto de Economia e Política Mundial da Academia Chinesa de Ciências Sociais e atuou no Comitê de Política Monetária do Banco Polular da China
Fonte: 中国金融四十人论坛 | Dongsheng <chinesevoices@dongshengnews.org>

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