Porta-voz da China sugere que militares dos EUA levaram coronavírus para o país

No entanto, Zhao Lijian, representante do Ministério das Relações Exteriores chinês, não apresentou prova.

Respondendo aos comentários de funcionários do governo americano culpando a China pela epidemia global de coronavírus, um porta-voz da Chancelaria chinesa disse nesta quinta-feira que militares dos EUA podem ter levado o coronavírus Covid-19 para seu território. Horas antes, um de seus colegas já havia criticado os comentários “imorais e irresponsáveis” de Washington que culpam os chineses pela pandemia.

“Quando o paciente zero começou nos EUA? Quantas pessoas estão infectadas? Quais são os nomes dos hospitais? Pode ser que o Exército americano tenha levado a epidemia a Wuhan. Seja transparente! Torne público seus dados! Os EUA nos devem uma explicação!”, disse Lijian em sua conta no Twitter.

O porta-voz, conhecido pelo perfil ávido e combativo no Twitter, não ofereceu qualquer prova que sustentasse a hipótese de que o Sars-CoV-2 tenha sido levado à China por meio de militares americanos.

Na manhã desta quinta-feira, outro porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, criticou duramente o conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Robert O’Brien, por ter acusado o país asiático de ter demorado a reagir no princípio da crise, chamando seus comentários de “imorais e irresponsáveis”.

Shuang afirmou que os esforços da China, incluindo medidas extremas e draconianas como a quarentena imposta sobre a província de Hubei, da qual Wuhan, epicentro global da doença, é capital, ajudaram o restante do mundo a arranjar tempo para se programar para o pior.

— Nós gostaríamos que algumas autoridades dos Estados Unidos concentrassem sua energia em responder à disseminação do vírus e promover a cooperação neste momento, em vez de jogar a culpa na China — disse o porta-voz.

O’Brien não foi o primeiro americano a tentar pôr a culpa da epidemia global de coronavírus na China: Trump e outros republicanos vêm tentando não só destacar a origem estrangeira do surto, mas também usá-la para justificar restrições à imigração — incluindo um muro na fronteira com o México.

Na terça-feira, Trump retuitou um post de seu apoiador Charlie Kirk que chamava o coronavírus de “vírus da China”. Além de concordar, Trump escreveu: “Precisamos do muro mais do que nunca!” Pequim vem lutando contra esta terminologia xenofóbica há semanas, afirmando que ainda não há nenhuma conclusão sobre a origem do vírus, que supostamente teria surgido em um mercado ilegal de animais silvestres em Wuhan.

O coronavírus emergiu em dezembro na cidade de Wuhan, província de Hubei, onde foram registrados cerca de dois terços dos casos de coronavírus do mundo até o momento. Nas últimas semanas, no entanto, a vasta maioria das infecções vêm ocorrendo fora da China.

As autoridades chinesas creditam a queda nos casos às medidas que tomaram em janeiro e fevereiro, incluindo o fechamento quase total da província de Hubei — uma tentativa de prevenir que outras cidades chinesas tivessem epidemias na mesma escala que Wuhan e reduzir a velocidade com que o vírus se dissemina no exterior.

Até o momento, mais de 121 mil pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus no mundo e 4.298 delas morreram. A grande maioria dos casos foi registrada. Até o momento, há 975 casos da doença registrados nos Estados Unidos, com 30 mortes.

 

Fonte: Jornal O Globo

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