Prejuízo do comércio no Dia das Mães deve chegar a 500 milhões, diz presidente da Fecomércio

Em entrevista ao A TARDE Conecta, projeto de lives do GRUPO A TARDE pelo Instagram, nesta sexta-feira, 1º, o presidente da Federação do Comércio do Estado da Bahia (Fecormércio-BA), Carlos Andrade, afirmou que o prejuízo dos comerciantes baianos no Dia das Mães pode chegar a cerca de 500 milhões. Segundo o empresário, a data representa o segundo maior período de lucro, atrás apenas do Natal.

“Os números não são bons. Na semana do Dia das Mães, do dia 4 ao dia 9, que antecede a data, nós do comércio, vamos perder em torno de 500 milhões”, lamentou o presidente da Fecomércio. De acordo com ele, uma pesquisa realizada pelo SEBRAE indicou que até o dia 10 de abril, cerca de 600 mil pequenas, micro e médias empresas já tinham fechado as portas.

Segundo Carlos, em reunião com a Fecomércio e outras entidades do setor, o prefeito ACM Neto definiu que o comércio ainda não poderia abrir devido a curva do coronavírus. A expectativa é que um novo encontro com o gestor seja realizado no dia 8 para debater a possibilidade de reabertura ainda no dia 11.

“Estamos na expectativa de realizarmos com ele uma reunião no dia 8 pra viabilizar a possibilidade de se abrir dia 11. Ele não garantiu, vai depender dos números (da curva do coronavírus na capital). Mas o prefeito tem razão, a segurança das pessoas é a coisa mais importante que tem. A vida das pessoas só sente mesmo quem perde“, ressalta.

Questionado se acredita em um meio-termo para a reabertura do comércio em meio a pandemia, Carlos defende que cada caso depende da situação nas cidades. Para ele, se a volta fosse autorizada em Salvador, seria necessário haver planejamento e adoção de diversas medidas de higiene e segurança.

“Tenho sido cobrado para a abertura dos shoppings, Mas quando vier, primeiro tem que ter esses números que o nosso prefeito e governador estão incentivando, e nós, temos que fazer uma abertura planejada e segura, ter uma segurança de que estamos fazendo uma coisa melhor, quer ser o uso da máscara, do álcool em gel, mantendo a distância das pessoas, evitar contato, desinfectando os ambientes. Por exemplo nos shoppings, higienizar o piso, duas, três, quatro vezes no dia, corrimões. Quem mais quer o cliente dentro dos shoppings somos nós, mas queremos um cliente saudável“, pontua.

“Sobre as decisões tomadas pelas autoridades na área de economia, Carlos opina que o dinheiro tem chegado com dificuldade para quem precisa. Ele também reclama que, mesmo após o diálogo da Fecomércio, os bancos não estão oferecendo, na prática, condições que ajudem a manutenção dos negócios do pequeno, médio e microempresário“, devido a aplicação de altos juros e burocracia.

“Por mais boa vontade que o Bancos do Brasil, a Caixa Econômica e o Banco do Nordeste têm, principalmente a Caixa que atende mais a população, não tinha estrutura para atender a quantidade de gente que está atendendo. Nós entendemos que existe o dinheiro e a boa vontade, mas falta a parte técnica para o dinheiro chegar mais rápido, diz ao falar da população.

“Como empresário, a quantidade de reclamações do pequeno, médio, microempresário e MEI é dos recursos que os bancos estão dando. Ás vezes liberam o dinheiro, mas com muita burocracia, o dinheiro é uma mercadoria nobre, e nessa época, eu entendo que os bancos podiam ser mais condescendentes, entenderem o momento que estamos vivemos, mas os bancos não estão tendo pena não, estão querendo cobrar mais“, afirma sobre as medidas que abrangem o comerciante.

Para a pós-crise, Carlos acredita que a palavra-chave será a reinvenção. Segundo o presidente, com o término da pandemia, o comércio precisará de um tempo para se reorganizar e os empresários devem levar o e-commerce e a tecnologia para além do coronavírus, a exemplo das reuniões online e do Delivery. Ele reforça que o Fecomércio e as outras entidades do meio irão colaborar para o aprendizado no empresário nesse sentido.

“Temos que planejar a volta. Sabemos que vamos voltar devagar. Ninguém pense que a gente vai voltar a todo vapor, com empregos a todo vapor. O que nós vendemos em janeiro e fevereiro, vamos vender lá pra novembro“, estima.

“A crise é dificuldade com oportunidade. Nós do comércio, temos que nos reinventar, principalmente usando a tecnologia e economizar um pouco. Por exemplo, nas nossas reuniões, às vezes tinha gastos com deslocamento, acho que essas reuniões virtuais como fazemos hoje, se ganha mais. No comércio, a participação da loja física com a loja virtual. No setor de restaurantes, a entrega Delivery. Essas coisas que estão surgindo, com certeza, vão ser mais colocadas em prática“, prevê.

 

Fonte: Jornal A Tarde

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