Presidente mexicano vai aos Estados Unidos e causa críticas

Visita do presidente mexicano a Washington em meio à pandemia e à campanha eleitoral americana gera críticas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebe na tarde desta quarta-feira (8), na Casa Branca, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, que realiza sua primeira viagem internacional desde que assumiu o governo de seu país, há 18 meses. O encontro servirá para comemorar a assinatura do Acordo Estados Unidos, México, Canadá (USMCA, na sigla em inglês), que entrou em vigor no dia 1º. de julho.

O USMCA substitui o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), de 1994. O novo acordo pretende estimular a criação de uma zona de livre comércio entre os três países envolvidos, que abrigam quase meio bilhão de consumidores, representam 27% do PIB mundial e geram um fluxo comercial de 1,2 trilhão de dólares por ano.

Convidado também por Trump, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, alegou outros compromissos e não participará do encontro em Washington.

A visita de López Obrador aos Estados Unidos gerou muitas críticas dos mexicanos por acontecer em plena pandemia do coronavírus, e com Trump tentando impulsionar sua campanha para reeleição. Alguns críticos dizem que a visita do líder mexicano pode ajudar Trump a melhorar sua imagem entre eleitores latinos. Há 3,5 milhões de mexicanos habilitados para votar na eleição presidencial americana, o que representa 16% do total de votos dos imigrantes.

Muitos mexicanos se recordam que, em 2015, o então pré-candidato presidencial Donald Trump acusou o país vizinho de enviar gente aos Estados Unidos “com um montão de problemas”, incluindo “drogas, crimes e estupradores”. Por sua vez, em 2017, o então líder oposicionista López Obrador chamou Trump de “prepotente” e acusou o presidente americano de falar dos mexicanos “como Hitler e os nazistas se referiam aos judeus”.

Aparentemente, os dois líderes vivem agora uma fase de lua de mel. Trump se referiu recentemente a López Obrador como “um grande sujeito”, enquanto o presidente mexicano chamou o colega de “amigo”. O presidente mexicano afirmou que, na reunião com Trump, não pretende tocar em um tema delicado: o muro que está sendo erguido na fronteira entre os dois países.

Ocupando polos extremos no espectro ideológico – um à direita, outro à esquerda –, os dois presidentes têm em comum o estilo populista e o negacionismo da ciência. Ambos minimizaram a gravidade da covid-19. Os Estados Unidos lideram as estatísticas da pandemia (131.000 óbitos até ontem), enquanto o México já está em quinto lugar (31.000 óbitos).

Ontem, antes de seguir para Washington, López Obrador declarou que fez o teste de covid-19 e que o resultado deu negativo. Afirmou que, se a Casa Branca exigir, pode se submeter a um novo teste nos Estados Unidos. Fiel ao seu discurso de austeridade, López Obrador voou para Washington em avião comercial, dispensando o jato presidencial adquirido há oito anos por um antecessor, Felipe Calderón, por 218 milhões de dólares. Desde que assumiu a presidência, López Obrador tenta vender o Boeing 787-8 e até mesmo lançou uma rifa para bancar a manutenção da aeronave, mas até agora não encontrou um comprador.

 

Fonte: Revista Exame

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