PT e DEM: Eleições devem ser adiadas, mas ainda é cedo para definições

Presidentes dos partidos Salvador avaliam que cenário de pandemia deixa incerto futuro das eleições.

Nem mesmo o mais criativo conspiracionista poderia imaginar que uma pandemia de um vírus desconhecido, com capacidade de propagação rápida, poderia colocar em xeque o andamento das eleições. Não que a Justiça Eleitoral já tenha decidido estender o calendário ou até prolongar mandatos. A ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), manteve o calendário eleitoral, mas criou um grupo de trabalho para avaliar o assunto.

No entanto, lideranças são convocadas a pensar os próximos passos diante da incerteza que habita as cidades com essa pandemia do novo coronavírus. A conclusão geral, até pelo menos esta quinta-feira (15), é uma só: ainda é cedo, mas é preciso encontrar uma solução capaz de preservar a igualdade das condições de campanha.

“Estamos com um problema novo, jamais visto por nenhum ser humano vivo. Problemas novos exigem soluções novas. Toda a classe política e a sociedade precisarão acertar como será o futuro desse processo eleitoral que, com certeza, nas condições atuais não conseguirá se realizar tal qual foi imaginado quando a atual legislação foi aprovada no Congresso Nacional”, avaliou o presidente do PT em Salvador, Ademário Costa.

O petista observa alguns pontos que fragilizam o pleito. Um deles é o recém-implementado instrumento de pré-campanha, que está comprometido porque a situação atual impede os políticos de estarem em contato com a população. Nem mesmo a internet pode ser tomada como uma ferramenta democrática. Até porque, quem não tiver um bom celular, um bom computador ou uma internet veloz não conseguirá interagir com aqueles que pretende atingir.

Outro fator é a necessidade de uma mobilização social que extrapole governos, visões políticas e interesses econômicos. A exigência reflete a gravidade da situação, que nenhuma liderança é capaz ainda de mensurar o quanto afetará a capacidade de fazer das eleições um instrumento da democracia.

“Considero impossível determinar neste momento qual será a data das eleições, mas é forçoso que as lideranças admitam que esta questão está em debate. Tudo está em suspenso. Não podemos afirmar ainda que ela será adiada, e para quando, mas seria no mínimo insensível afirmar que ela se realizará de qualquer maneira na data originalmente prevista”, acrescentou.

Avaliação democrata – Oposicionistas na ideologia, mas concordantes na análise de cenário, PT e DEM têm o mesmo entendimento sobre o assunto. O presidente do Democratas em Salvador, Duda Sanches, reforça que a dinamicidade decorrente dessa pandemia de Covid-19 impede que uma opinião seja formada sobre as eleições. Ainda é cedo para definir qualquer coisa, ele diz, mas aposta que pelo menos em outubro as eleições não devem acontecer.

Por outro lado, o vereador considera até inadequado falar de política num momento como o de agora, quando passa de 1,5 mil o número de mortos e de 26,1 mil o número de pessoas infectadas pelo coronavírus no Brasil. Para o democrata, é preciso focar nas decisões voltadas à saúde das pessoas e ao impacto econômico decorrente da pandemia.

“Acho que não é momento de falar politicamente sobre isso [eleições]. Não vende, se pensar de forma prática; não é adequado, se pensar de forma social; e não vai tocar as pessoas. A gente falar disso agora está… Acho que a palavra de ordem é ‘inapropriado’”, opinou.

Para Duda Sanches, o momento é de “se despir de partidos e se vestir de homens públicos”, mas sem exploração política da crise. Uma postura como essa é “covarde”.

 

Fonte: Bahia.ba

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