‘Quero democracia, não impunidade’, escreve Lula em artigo do NY Times

O ex-presidente Lula (PT) assina o artigo de opinião “Eu quero democracia, não impunidade”, no jornal americano New York Times de hoje (14).

Diretamente da carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, o petista aproveitou o espaço para apontar os avanços que o três governos e meio do Partido dos Trabalhadores implementaram no país, até a interrupção do mandato da ex-presidente Dilma Rousseff.

“A presidente Dilma Rousseff sofreu impeachment e foi destituída do cargo por uma ação que até mesmo seus oponentes admitiram não ser uma ofensa imputável. Então, eu também fui mandado para a prisão, depois de um julgamento duvidoso sobre acusações de corrupção e lavagem de dinheiro (…) Há um golpe de direita em andamento no Brasil, mas a justiça prevalecerá”, escreveu.

Lula afirma que o encarceramento dele foi “a última fase de um golpe em câmera lenta destinado a marginalizar permanentemente as forças progressistas no Brasil”, principalmente no que diz respeito a impossibilitá-lo de se candidatar no pleito de 2018.

“Minha condenação e prisão são baseadas somente no testemunho de uma testemunha cuja própria sentença foi reduzida em troca do que ele disse contra mim. Em outras palavras, era do seu interesse pessoal dizer às autoridades o que elas queriam ouvir”, argumentou.

Entre outras coisas, o ex-presidente cutucou a mídia brasileira e apontou que todos trabalham em favor do juiz Sérgio Moro, que “interceptou conversas de telefone privadas” que o petista teve com “família e advogados”, e o fez protagonizar um “desfile do acusado”, ao ser conduzido coercitivamente para prestar depoimento.

Lula finaliza o artigo com um pedido de julgamento justo e imparcial, ao afirmar que não se preocupa consigo mesmo, pois já esteve na cadeia antes, no período do Golpe Militar. “Aquela ditadura caiu. As pessoas que estão abusando do poder hoje em dia irão cair também”, aposta.

Confira a íntegra (tradução livre):

Lula: Eu quero democracia, não impunidade

Dezesseis anos atrás, o Brasil estava em crise; seu futuro incerto. Nossos sonhos de se desenvolver em um dos países mais prósperos e democráticos do mundo pareciam ameaçados. A ideia de que um dia nossos cidadãos poderiam desfrutar dos padrões de vida confortáveis ​​de nossos colegas na Europa ou em outras democracias ocidentais parecia estar desaparecendo. Menos de duas décadas após o fim da ditadura, algumas feridas daquele período ainda estavam cruas.

O Partido dos Trabalhadores ofereceu esperança, uma alternativa que poderia mudar essas tendências. Por essa razão, creio, acima de tudo, triunfamos nas urnas em 2002. Tornei-me o primeiro líder trabalhista a ser eleito presidente do Brasil. Inicialmente, os mercados foram abalados por esse desenvolvimento, mas o crescimento econômico que se seguiu os deixou à vontade. Nos anos que se seguiram, os governos do PT conseguiram reduzir a pobreza em mais da metade em apenas oito anos. Nos meus dois termos, o salário mínimo aumentou 50%. Nosso programa Bolsa Família, que auxiliou famílias pobres ao mesmo tempo em que garantiu que as crianças recebiam educação de qualidade, ganhou renome internacional. Nós provamos que combater a pobreza era uma boa política econômica.

Então este progresso foi interrompido. Não através das urnas, embora o Brasil tenha eleições livres e justas. Em vez disso, a presidente Dilma Rousseff sofreu impeachment e foi destituída do cargo por uma ação que até mesmo seus oponentes admitiram não ser uma ofensa imputável. Então, eu também fui mandado para a prisão, depois de um julgamento duvidoso sobre acusações de corrupção e lavagem de dinheiro.

Meu encarceramento foi a última fase de um golpe em câmera lenta destinado a marginalizar permanentemente as forças progressistas no Brasil. Pretende-se impedir que o Partido dos Trabalhadores seja novamente eleito para a Presidência. Com todas as pesquisas mostrando que eu venceria facilmente as eleições de outubro, a extrema direita do Brasil está tentando me tirar da disputa. Minha condenação e prisão são baseadas somente no testemunho de uma testemunha cuja própria sentença foi reduzida em troca do que ele disse contra mim. Em outras palavras, era do seu interesse pessoal dizer às autoridades o que elas queriam ouvir.

fonte: Metro1

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