Reajustes de passagens de ônibus vão a mais de 20% entre as 30 cidades que já anunciaram aumento

Muitas capitais e outros municípios ainda devem aumentar suas tarifas de transporte, fazendo do setor um dos maiores vilões da inflação para este ano. Em Alagoinhas, a situação se agrava pela péssima qualidade do serviço prestado pelas empresas locais.

Mais de 13 milhões de brasileiros vão começar 2022 pagando mais caro pelo ônibus. São moradores das mais de 30 cidades do Norte ao Sul do país que anunciaram reajustes, em alguns casos que ultrapassam 20%. Com isso, consultorias e bancos estimam que, na média do país, a alta do principal modal de transporte público no Brasil suba 10%, a maior alta desde 2015.

As pressões são variadas: o diesel está 48% mais caro e há reajustes represados na pandemia. Em 2020 e 2021, a alta do ônibus urbano foi pouco acima de 1%. O IGP-M, um dos indexadores dos contratos de concessão de transporte, fechou o ano em 17,78%. Outro fator de pressão é a e a data-base de motoristas e cobradores, entre janeiro e maio. Com a inflação acima de 10%, a pressão por reajuste será forte, com reflexos na tarifa.

Prefeitos estão tentando sensibilizar o governo federal para que haja um subsídio para as gratuidades dos idosos, que foram definidas em lei federal. De acordo com Felício Ramuth, prefeito de São José dos Campos (SP) e vice-presidente de Mobilidade Urbana da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), seria necessário um repasse de R$ 5 bilhões da União para cidades e estados. Ramuth diz que a tarifa é alta para quem paga e insuficiente para cobrir os custos, problema que foi agravado pela pandemia e a popularização de aplicativos de transporte. Para bancar a conta, além de subsídios municipais, a FNP defende a ajuda da União:

— Além de não termos desoneração de alguns impostos, não temos nenhum tipo de ajuda do governo federal. A proposta da FNP era de uma ajuda emergencial através desse pagamento das gratuidades dos idosos, que representa R$ 5 bilhões para o Brasil inteiro, para as cidades que têm sistemas de transporte público estruturado e estados com transportes metropolitanos.

Fábio Romão, economista da LCA Consultores, calcula que o aumento das tarifas de transporte público deve elevar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) este ano de 5,35% para 5,5%, acima do teto da meta de 5%. Ele projeta alta de 10% para o ônibus urbano e de 7,1% do transporte público como um todo:

— Dificilmente vamos ter taxas moderadas para transporte público nas capitais, vão ser reajustes pesados, muito provavelmente — diz Romão.

Fonte – O Globo

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