Segurança acusado de ato racista contra gêmeas prestará depoimento

O segurança responsável por ofensas racistas contra duas irmãs gêmeas, numa estação do metrô de Salvador, será ouvido nos próximos dias na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca). A informação foi confirmada por representantes da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Ordem dos Advogados da Bahia. Depoimentos de testemunhas serão colhidos após o segurança se apresentar na unidade policial.

Em nota, a CCR Metrô Bahia disse que “repudia atitudes racistas ou discriminatórias, de qualquer natureza, premissa que norteia o trabalho diário de todos os seus colaboradores”, mas não comentou sobre a apuração do caso e nem sobre a atual situação do segurança suspeito de ter cometido o ato racista.

Sandra Weydee e as filhas Valentina e Verena foram ouvidas na tarde desta quinta-feira, 13, na Dercca, pela delegada Simone Malaquias. Acompanhada de representantes da Comissão da OAB e da Marcha do Empoderamento Crespo de Salvador, a mãe das gêmeas de 3 anos e uma das garotas conversaram sobre o episódio racista, cometido em 25 de janeiro.

“Apenas uma das meninas (Valentina) falou com ela. Foi de porta fechada. Depois, eu dei meu depoimento. Relatei tudo que aconteceu no dia. A gente não pode se calar para um crime absurdo que tá acontecendo constantemente. Isso é importante que as pessoas que passem por isso não se calem e sirva para que as pessoas que pensarem em fazer, pensem duas vezes”, contou Sandra.

O ato racista deixou marcas, segundo a mãe das meninas. “São duas crianças que foram discriminadas por causa dos cabelos. Isso mexeu com a autoestima delas. Tanto que elas vão fazer acompanhamento psicológico agora. Não só pelo que aconteceu, mas para prepará-las para o que possa acontecer futuramente”, completou. Conforme Sandra, o crime foi cometido quando ela e as meninas estavam numa estação do metrô. “Eram três seguranças, dois negros e um branco, próximos das catracas. O branco estava de costas, quando ele virou e viu minhas filhas, ele gritou: ‘Misericórdia’. Eu fiquei sem entender. Aí ele disse: ‘Bucha 1 e Bucha 2′”, relatou.

 

Fonte: Jornal A Tarde

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