Senador Otto Alencar, médico responsável, afirma: hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina têm ineficácia comprovada contra Covid-19

Ivermectina não funciona para tratamento de Covid- 19, diz fabricante Merck

Segundo o senador e médico Otto Alencar, medicamentos como cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina, que integram o kit Covid, têm ineficácia comprovada contra a Covid-19.

Otto não está sozinho. A OMS e infectologistas de renome se posicionam da mesma forma. E vão mais longe. na verdade condenam o uso do “kit Covid” e alertam para efeitos colaterais.

Desde o início da pandemia, médicos e associações da área têm combatido o chamado “kit Covid”, relação de medicamentos que supostamente funcionam como “tratamento precoce” da Covid-19. Com o agravamento da doença em todo Brasil, os especialistas voltam a condenar o uso de remédios como hidroxicloroquina e ivermectina para combater a doença.

Estudos realizados para avaliar a eficácia desses remédios no tratamento da Covid-19 revelaram que os fármacos não trazem benefícios ao tratamento, ou seja, não possuem eficácia, além de apresentarem riscos à saúde por conta dos efeitos. Há relatos de cinco pacientes na fila de transplante de fígado após usarem esses medicamentos. Outros três morreram por conta de hepatite. Também há casos de hemorragia e insuficiência renal ligadas ao uso desses remédios.

“Além de não terem efeito algum contra Covid, esses medicamentos têm efeitos colaterais, podem ser tóxicos – alguns menos, outros mais. A ivermectina não é tão tóxica, mas utilizada de forma repetida pode ter uma toxicidade hepática muito grande”, explica o infectologista Matheus Todt, da S.O.S. Vida. Além da ivermectina, o especialista pontua que “não existe nenhum medicamento que trate ou previna a Covid”.

De acordo com ele, tratamento precoce é tratar pacientes graves dentro do hospital logo no início da doença, melhorando a evolução do quadro clínico deles. “O tratamento precoce da Covid é abordar precocemente esse paciente, colocar no hospital, colocar oxigênio, dar algumas medicações que podem atenuar o quadro dos pacientes mais graves, mas que são medicamentos de uso restrito intra hospitalar, como corticoides injetáveis e anticoagulantes”, pontua.

Ivermectina, azitromicina e cloroquina para Covid-19: o que diz a ciência?
Entre os medicamentos que foram testados para o tratamento da Covid-19 estão a cloroquina, a ivermectina e a azitromicina. Veja a indicação e as contraindicações

Ivermectina e Covid-19

A ivermectina é um antiparasitário, um vermífugo que costuma ser usado para piolho, lombriga e sarna, com ação contra vermes e parasitas, e deve-se tomar somente com prescrição médica. Até mesmo os laboratórios que fabricam a ivermectina contraindicam a prescrição para a Covid-19. A venda sem receita foi proibida pela Anvisa durante a pandemia.

Uma pesquisa indicou que a ivermectina é capaz de inibir a replicação do coronavírus que causa a Covid-19 em células testadas em laboratório (e não no corpo humano). A questão é que a dose usada nos testes é entre 50 e 100 vezes maior do que o limite considerado seguro para o tratamento em humanos. A OMS já emitiu recomendação para que a ivermectina não seja usada em casos de Covid-19.

Azitromicina e Covid-19

A azitromicina é um antibiótico usado no tratamento de infecções respiratórias, como bronquite e pneumonia, ou das vias aéreas superiores, como faringite e sinusite, e não tem eficácia contra a Covid-19, que é causada por um coronavírus, e não por uma bactéria.

A azitromicina só é usada em casos de Covid-19 como um complemento do tratamento em casos graves, já que ela atua no controle da síndrome respiratória aguda grave, já que uma das consequências entre pacientes hospitalizados pode ser a pneumonia bacteriana. Mas não há evidências que comprovem a eficácia contra a Covid-19. E só deve ser usada se constatada uma co-infecção.

Cloroquina e Covid-19

A cloroquina e a hidroxicloroquina são medicamentos usados no tratamento e na profilaxia de malária, uma doença causada transmitida por mosquitos e causada por protozoários parasitários. Ele também é usado no controle de doenças autoimunes como lúpus e artrite reumatoide, já que a droga tem efeito imunomodulador (aumenta a resposta imune contra microorganismos).

Altamente tóxica, o uso da cloroquina deve ser monitorado frequentemente pelo médico, pois ele provoca efeitos colaterais graves como lesões na retina ocular (retinopatias), hipoglicemia grave, distúrbios do ritmo cardíaco e toxicidade cardíaca.

Não há registros científicos de que tanto a cloroquina como a hidroxicloroquina tenham eficácia contra a Covid-19. A OMS suspendeu os estudos para o tratamento da infecção pelo novo coronavírus diante do risco maior de arritmias e mortes nos casos mais graves de Covid-19.

A prescrição por alguns médicos desses medicamentos para tratamento de Covid-19 é uma decisão ideológica, literalmente inversa ao que preconiza a ciência. O bom senso manda o paciente recusar.

Redação

 

 

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