Tribunal das redes sociais e o assassinato de reputações.

O que antes ficava restrito a fofocas nas esquinas das cidades, ganha o mundo através das redes sociais e causa danos irreparáveis, muitas vezes levando ao suicídio. Lembro que em 2013 escrevi um texto no Facebook, que aqui transcrevo, elencando uma série de vantagens do site, ao responder à pergunta: “O que você está pensando?”

Eis o texto: Estou pensando, face, em lhe fazer uma declaração de amor. Não vou entrar em detalhes, mas você tem sido importantíssimo em minha vida por diferentes motivos. Vários. Reencontrar velhos amigos, fazer novos, trocar ideias sobre variados assuntos, conhecer pontos de vista diversos, trocar farpas… Acho incrível como pessoas, que não conheço pessoalmente, despertam afeto só pelo contato através do Facebook. De vez em quando, encontro um ou outro em algum local e é um grande prazer conhecê-lo pessoalmente. Há, também a solidariedade, a disposição para ajudar, seja com uma informação ou até com ações. Pude até intermediar ajuda entre pessoas que nem conheço pessoalmente. 

Essa visão permanece mas, hoje, sombreada pelo ódio, pela maledicência, pela ignorância, expostos com arrogância e sem nenhum pudor.

No entanto, a minha maior preocupação é com o WhatsApp, por ser muito invasivo. Não entro em grupos, estou apenas em um e por questão profissional, mas foi ( é) uma experiência ruim. Além de tudo que já pontuei acima, tem um potencial destrutivo de reputações impressionante.

Tomo como exemplo o trágico crime que abalou Alagoinhas no último dia 21. No momento que tomaram conhecimento da morte da Profª Rosângela, foram em busca da foto e do nome de um ex namorado e publicaram, dando o nome, dizendo de quem é filho, quem são seus irmãos, onde trabalha. O rapaz, ao acordar, assustou-se e ficou com medo de sair de casa, temendo alguma represália. Vamos convir que deve ser apavorante saber que sua foto e seu nome circulam nas redes sociais como possível assassino. Ainda bem que um dos seus irmãos é advogado e o acompanhou à delegacia para registrar um B.O. pedindo investigação de quem foi o autor da postagem. Na ocasião, recebeu garantias do delegado responsável pelas investigações de que ele não é, nem nunca foi, suspeito.

Espero que o autor da infame divulgação seja punido e sirva de exemplo para aqueles que se apressam em divulgar informações inverídicas ou, pelo menos, não confirmadas.

Nadia Freire

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